CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

G.R.E.S.M

Mocidade Recreio das Flores


MURUCUTUTU


Carnavalesco : Robson Ferreira, Thiago Mirandah
Samba utilizado(Escola/Ano) : Inédito
Interpréte : Darlan

SINOPSE


Autor(es) : Robson Ferreira


MURUCUTUTU

Autor: Robson Ferreira

 

JUSTIFICATIVA - 

Em 2020, a Mocidade Recreio das Flores trará a UESM o enredo MURUCUTUTU o qual 

será narrado pela própria protagonista a Coruja Murucututu nessa viagem. 

A onde ela conta as histórias entrelaçadas as corujas pelo mundo inteiro, mostrando toda a 

beleza, obscuridade, misticismo e sabedoria que também nas asas de nossa guardiã. 

SINOPSE 

Muito mais do que uma ave, nós as corujas possuímos muito simbolismo em diversas 

culturas. Em algumas partes do Brasil acreditam que nós anunciamos a morte quando voamos 

sobre telhados ou quando pousamos neles em uma casa de um doente. 

Nós estamos presentes em várias culturas: a grega, asteca, egípcia, ioruba... 

Sempre estivemos no imaginário das civilizações, despertando curiosidade e alimentando a fantasia. Assim, todos os povos, em diferentes locais habitados, e estágios das civilizações, nos conhecem ou conheceram. 

Nossa saga mais antiga talvez comece pelas bandas latino americanas, para mais exatidão o que  ́hoje se chama Brasil. Corujas e seres humanos estão ligados desde a pré-história, existindo registros de corujas, dentre os povos indígenas desde os primórdios. Um deles é Nhamandu, o deus supremo na mitologia tupi-guarani, que se manifesta na forma de coruja para criar a sabedoria. 

Nas crenças indígenas somos vistas como seres benéficos, criaturas portadoras do conhecimento, consideradas sagradas e que possuem a função de conduzir as almas 

dos falecidos até outro plano. 

Ao norte da Amazônia, caboclos mais antigos consideravam a Caburé como ave de boa sorte e por isso suas penas são usadas como amuletos.

Vistas em algumas crenças, lendas e afins como portadoras de mal presságios, muitas tribos acreditam que somos a reencarnação de pessoas que morreram e voltaram em forma de corujas para resgatar seus pecados, condenadas a vagar pelas noites. 

Entre nós a mais famosa dentre as corujas das noites brejeiras pelas aldeias e vilas eu – MURUCUTUTU.

Há muitas tribos indígenas, que veem meu voo ou piado como sinais de adivinhação em relação à morte, tal como acontece com o restante de nós. 

Em torno de minha lenda criou-se uma cantiga para embalar crianças: 

Murucututu lá na beira do telhado, leva esse menino que não quer dormir calado.  Murucututu me empresta teu sono para fazer esse menino dormir”. 

  

Sobre nós ainda existe a lenda de uma jovem obesa, de pele muito branca chamada Suindara, que era filha de um feiticeiro poderoso, que ao saber que sua filha fora envenenada proferiu um feitiço que fez com que o espírito de sua amada filha tomasse a estatueta da coruja que fora colocada sobre sua sepultura, a qual sai voando do cemitério em noites de lua cheia. O seu piado remete ao som de seda sendo rasgada, sendo batizada de a rasga-mortalha. 

O imaginário do povo brasileiro guarda suas lendas em torno de nós, até mesmo além dos rituais indígenas, Matinta Pereira é uma dessas lendas que é descrita como sendo uma velha vestida de preto, com os cabelos caídos pelo rosto, relata se que a lenda de tal bruxa, onde ela é dona de poderes sobrenaturais, que nas noites sombrias faz aparições sob a forma de uma coruja para assombrar vilarejos e cidades pequenas. 

  

Além das fronteiras brasileiras, existem registros de corujas retratadas em pinturas rupestres na França que datam de 15 a 20 mil anos e até em hieróglifos egípcios. 

Ao longo dos tempos realizamos uma variedade de papéis simbólicos na cultura humana, representando muitas vezes a prosperidade, sabedoria e filosofia. 

Para os astecas nossa simbologia é bem diferente. Eles nos consideram um elemento importantíssimo no encerramento da vida das pessoas. Chamadas de “Deusas do Inferno”, para eles, nós descíamos na terra para “comer as almas” daqueles que tinham a morte próxima, permitindo assim que eles fossem para o “outro mundo”. 

Na Grécia antiga, acreditavam que o período da noite era o momento ideal para ampliar e explorar os pensamentos filosóficos e assim ganhar mais sabedoria e até mesmo as antigas moedas gregas (dracmas) tinham uma coruja cunhada no verso. Atena, a deusa da sabedoria, era simbolizada pela coruja, pois de acordo com a mitologia, a deusa tinha a ave como mascote que lhe concedia o poder da clarividência sendo esse inspirado pela Lua. 

Na Babilônia a origem do mito de Lilith deu-se pela crença de que em amuletos de coruja, havia proteção para as mulheres durante o parto. 

Ainda sobre a história de Lilith, conta-se que a origem de tudo começa com Innana, a neta da deusa Ninlil, conhecida como "Rainha dos Céus” que também era representada por uma coruja. A história de Innana e Enki é repleta de costumes sexuais sagrados e que são considerados a dádiva de Innana para a humanidade. Lilith era conhecida como a Donzela, "mão de Innana", que pegava os homens nas ruas e os levava ao templo de Erech para os ritos sagrados. 

Em muitos países africanos, estamos associadas à magia e feitiçaria. Quando uma grande coruja era avistada rondando uma casa era indicativo de que um poderoso Xamã ali morava. 

Nanã a orixá da água parada, sabedoria, a mais velha dentre os Orixás e Yabás, tem a coruja na cultura yorubá sua representante em nome de sua ligação com a morte e inteligência. 

Nossos hábitos noturnos, nosso piar lúgubre e nossas incríveis habilidades de caça, tornaram nossa presença por vezes vinculada ao misterioso, desconhecido, nos associando ao infortúnio, sendo criado um elo entre nós e entidades amaldiçoadas, como bruxas, feiticeiros e demônios. 

  

Os anos passaram e passamos a ser adoradas por muitas pessoas. Professores e colégios fizeram de nós seu símbolo, popularizando as figuras de corujinha de toga, capelo e com diploma em baixo das asas. 

Nós também estamos ligadas à super proteção, a mãe protetora, que hoje em dia não se limita à apenas às mães. 

Há uma lenda em que a mãe coruja diz à águia, que se ela visse uns passarinhos muito lindos num ninho, com uns biquinhos muito bem feitos, não os coma, pois são os meus filhos! 

A águia prometeu-lhe que não os comeria. Foi voando e encontrou numa árvore um ninho e comeu todos os filhotes. Quando a coruja chegou e viu que lhe tinham comido seus filhos e foi ter uma conversa com a águia. 

Águia muito astuta, disse que na verdade os filhotes da amiga eram despenados, sem bico e feios. E que a verdadeira mentirosa era ela por dizer inverdades.

Essa história nos coloca na posição de que aos nossos olhos nossos protegidos são perfeitos e tolos são aqueles que não os veem como os mesmos olhos que nós. 

Mas de tantas histórias a contar empresto meu piar a Mocidade Recreio das Flores, pra mostrar a minha força, sabedoria e destreza. 

Hoje sou a coruja dessa nação, deixo o meu cantar saldar e é para mostrar o quanto especial é esse meu lugar. 

  

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 

 

http://www.ipatrimonio.org/?p=23459#!/map=38329&loc=-1.446405999999986,-48.427852,17 

https://www.geledes.org.br/murucutu-mantinha-50-escravos-em-familias/ 

https://www.moarabrasil.com/single-post/2015/09/21/Lenda-do-Murucututu 

http://www.avesderapinabrasil.com/ 

https://www.astrocentro.com.br/blog/espiritual/qual-significado-da-coruja/ 

http://www.ipatrimonio.org/?p=23459#!/map=38329&loc=-1.446405999999986,-48.427852,17

https://www.geledes.org.br/murucutu-mantinha-50-escravos-em-familias/

https://www.moarabrasil.com/single-post/2015/09/21/Lenda-do-Murucututu

http://www.avesderapinabrasil.com/

https://www.astrocentro.com.br/blog/espiritual/qual-significado-da-coruja/

 


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