CARNAVAL DE MAQUETE


           

   

Grêmio Recreativo Escola de Samba de Maquete

Mocidade Recreio das Flores


Da gota do Orvalho ao Rio-Mar


Carnavalesco : Robson Ferreira
Samba utilizado(Escola/Ano) : Mocidade Independente de Padre Miguel 1991
Interpréte :

SINOPSE


Autor(es) : Robson Ferreira


DA GOTA DO ORVALHO AO RIO-MAR
Autor: Robson Ferreira

Água, fonte da vida, está em mais de 70% de nosso corpo e também em cobertura do nosso planeta. São mares, rios, cachoeiras, lagoas, por todo lugar, em estado liquido ou nas grandes geleiras. A água é um dos elementos naturais mais receptivos, com uma energia altamente atratora e condutora.
Nossos viajantes partem em contemplação da capacidade do ar de absorver a água, vendo sua beleza delicada. Capazes de roubarem para si os primeiros raios do amanhecer trazem consigo a beleza, a leveza. O orvalho os seduz por sua beleza e delicadeza, dando encanto onde repousa.
Continuando sua jornada chegam às águas que lhes trazem o sagrado. Pelas águas doces vem Oxum, senhora dos rios e cachoeiras. Através de mamãe Oxum, os fiéis buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões, e também na vida financeira, a que se deve sua denominação de “Senhora do Ouro”. (RAIZES EPIRITUAIS, S.D.).
No encontro com o mar, as águas salgadas trazem o amor a Iemanjá, orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá “Yèyé omo ejá” “Mãe cujos filhos são peixes. Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás por isso a ela também pertence a fecundidade. É protetora dos pescadores e jangadeiros. A majestade dos mares, senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a rainha do mar, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento (RAIZES ESPIRITUAIS, S. D.).
Oxalá é o orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço (chamado Oxaguiã, identificado no jogo de búzios pelo odu ejionile) e velho (chamado Oxalufã e identificado pelo odu ofun).
Chegando a São Thomé das Letras, deslumbram as belezas da suas riquezas naturais e que guarda em suas quedas d`águas, rodeadas de plantas nativas, um espetáculo singular. Diante de suas águas, a natureza encanta com o leve movimento das borboletas que bailam pelo vale, enchendo-o de cor e beleza.
Seguindo o curso das águas do rio que corre para o mar, a fé também chega até ele. Diante da sua imensidão nos colocamos a ofertar flores para sua rainha e sua corte de cavalos marinhos leva a ela a oferenda de amor, devoção e agradecimento.
Vestidas de branco, com seus jarros nas mãos vem as Yabás, macerando suas ervas de cheiro, misturando-as as águas, que lavam o corpo, purificam a alma, lavam os caminhos.
Continuando sua jornada pelas águas é inevitável o encantamento e os mistérios da natureza. O Encontro das Águas é, talvez, a maior referência de patrimônio imaterial de Manaus. Tudo que se fala deste fenômeno hidrológico, que une os rios Negro e Solimões, não é exagero. A experiência de avistar este “encontro” encanta os olhos, tanto de perto quanto de longe. Mas não há nada mais especial do que ver o Encontro das Águas de perto. Não há muito o que descrever. Basta contemplar. O preto é quente, o marrom frio. (AMAZONAS E MAIS, 2015).
Nossas águas nos trazem belezas como a Pororoca, fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio. Existem várias explicações para este fenômeno, mas a principal diz que sua causa deve-se à mudança das fases da lua.
Ela é fonte de vida, que se cuidada, é inesgotável e generosa, cheia de possibilidades. Seja ela doce ou salgada, nos fornece o peixe, que mata nossa fome física, revigora o corpo.
O mar esconde em suas profundezas inúmeros mistérios e segredos, alguns capazes de serem desvendados pelo homem. Explorar petróleo no pré-sal foi uma nova conquista e fonte de riqueza para o país que ainda é tão dependente dos combustíveis fósseis.
Em sua caminhada contemplam o céu e de lá a água vem em forma de chuva, por vezes vem branda, por vezes acompanhada de raios e trovões, por vezes fina; lava a terra, lava a alma daqueles que tem fé.
Sob seus pés, a natureza em seu projeto perfeito, guarda água longe de seus olhos. Ela está nos lençóis de água ou nos aquíferos artesianos. Ela está lá, a água de beber, a água de cuidar.
Nessa grande viagem temos a realeza do rio São Francisco, um dos mais importantes cursos d'água do Brasil e da América do Sul. O rio passa por cinco estados e 521 municípios, sendo sua nascente geográfica no município de Medeiros e sua nascente histórica na serra da Canastra, no município de São Roque de Minas, centro-oeste de Minas Gerais (WIKIPÉDIA, s.d.).
Nessa viagem pelas águas, a encontramos pura e cristalina em seu estado sólido, formando grandes geleiras, iceberg, que encantam e assombram ao mesmo tempo.
Em seu curso as águas sofrem também interferência pelas mãos do homem. Com isso grandes reservatórios as forçam a seguirem outros caminhos, destinarem-se não só a molhar a terra, mas também gerar energia através de complexos hidrelétricos, a luz artificial se faz presente no cotidiano.
Em seu caminho os viajantes reencontram a fé. As águas são envoltas pela energia daqueles que são trabalhadores do amor e da caridade, seja no plano físico ou espiritual. A água fluidificada torna-se o lenitivo para aqueles que crêem.
Caminhando pelos solos áridos, a sede castiga, e o sertanejo recorre ao mandacaru, que mostra seu vigor e sua beleza. Seu interior é fonte de água que alivia, que socorre.
Mas não nos surpreendemos com a capacidade da natureza de nos doar. Nas frutas, nos legumes, ela está presente sem que percebamos sua liquidez.
Enfim nossos viajantes chegam ao seu destino, a Fonte dos Desejos, que buscada por muitos, encontrada por poucos. Os privilegiados que a encontram, depositam nela seus sonhos e esperam ser atendidos. Teriam suas águas esse poder?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
https://www.raizesespirituais.com.br/orixas/iemanja/
https://www.raizesespirituais.com.br/orixas/oxum/
https://www.raizesespirituais.com.br/orixas/oxala/
http://www.amazonasemais.com.br/manaus/
as-aguas-que-nao-se-misturam-no-encontro-do-negro-com-o-solimoes/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_São_Francisco
http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/o-que-e-pororoca.htm

Escute o Samba

Autor(es)
Toco, Jorginho Medeiros e Tiãozinho

Puxador(es)
Paulo Costa Alves (Paulinho Mocidade)

Naveguei no afã de encontrar
Um jeito novo de fazer meu povo delirar
Uma overdose de alegria
Num dilúvio de felicidade
Iluminado mergulhei
No verde branco mar da Mocidade

Aieieu mamãe Oxum
Iemanjá mamãe sereia
Salve as águas de Oxalá
Uma estrela me clareia


É no Chuê, Chuê,
É no Chuê, Chuá,
Não quero nem saber
As águas vão rolar,
É no Chuê, Chuê,
É no Chuê, Chuá,
Pois a tristeza já deixei pra lá!
Da vida sou a fonte de alegria,
Sou chuva, cachoeira, rio e mar,
Sou gota de orvalho, sou encanto,
E qualquer sede posso saciar...
Quem dera!
Um mar de rosas esta vida,
Lavando as mentes poluídas,
Taí o nosso carnaval!

Eu tô em todas, tô no ar, eu tô aí
Eu tô até na liquidez do abacaxi