CARNAVAL DE MAQUETE


           

   

Grêmio Recreativo Escola de Samba de Maquete

Bafo do Tatu


Nordestinopolis


Carnavalesco : Claudio Sampaio Assunção
Samba utilizado(Escola/Ano) : próprio
Interpréte : Leonardo Bessa

SINOPSE


Autor(es) : CLAUDIO SAMPAIO ASSUNÇÃO





ENREDO: NORDESTINÓPOLIS
Autor: CLAUDIO SAMPAIO ASSUNÇÃO


Era uma vez um sonho. Este sonho se passava no fim do ano de 2100, quando uma guerra dividiu um país em dois. De um lado o país do Sul e do outro o país do Sol. O país do Sol estava cansado da exploração do seu povo desde o descobrimento do extinto país chamado Brasil. E assim naquele fatídico ano, com a chegada de Jangadas Cruzadoras Espaciais em 22 de abril, Severino Álvares Cabral da Silva, desembarca no antigo Porto Seguro em terras da antiga Bahia, começando a história de uma nova nação. Esse foi o real descobrimento de Nordestinópolis.
Severino da Silva, elevou a cidade do Recife à capital do Império Nordestino. Implantou no Marco Zero da cidade o símbolo de resistência de seu povo, o Tatu Cangaceiro. Pois assim como o povo da região, o Tatu tem a couraça dura, o couro denso e encorpado, sendo um verdadeiro cabra da peste. Na capital mandou construir uma réplica do Planalto Central (Prédio que existia em Brasília, mas foi vendido, aos estrangeiros na era das privatizações) com as habilidades herdadas de Francisco Brennand, Vitalino e com os traços de Romero Brito. Porém, este era diferente com elementos da terra do Frevo e do Maracatu. Nomeou Capiba e Luiz Gonzaga para compor o frevo-hino e Gilberto Freyre e Paulo Freire para fundamentar as bases da educação que espalharia pelas terras conquistadas.
Com um verdadeiro exército de cangaceiros espaciais, batizou a guerra de Nova Insurreição Pernambucana e toda a região foi libertada do domínio do país do Sul. O General Lampião Virgulino ia a frente comandando suas tropas ao lado da sua Maria Bonita, abrindo caminho por todos os Grandes Sertões e Veredas, como escreveu um dia Guimarães Rosa. 
Países estrangeiros, tentaram aproveitar-se da guerra e adentrar o território, mas foram derrotados na famosa batalha do Monte dos Guararapes.
Severino da Silva, ao lado de Lampião, Corisco, Mergulhão, Enedina, Elétrico, Moeda, Macela, Alecrim, Colchete e Quinta-feira, chegaram a João Pessoa e uniram as duas tribos até então inimigas, os Potiguaras e os Tabajaras e todo o estado se uniu a nação que crescia, Nordestinópolis. Ariano Suassuna foi nomeado governador e Assis Chateaubriand ficou responsável pelos veículos de comunicação do Império que se expandia. Um verdadeiro São João foi feito em Campina Grande com direito a quadrilha junina para comemorar a libertação daquele povo.
Da Fortaleza dos Reis Magos, uma nova Guerra dos Bárbaros surge e com a liderança de Tapuias e Cariris, O Rio Grande do Norte se liberta e junta-se a luta de Severino e seus cangaceiros. Elói de Souza, é nomeado combatente da seca e Nísia Floresta, Ministra dos Direitos das Mulheres. 
Chegando na terra da Luz, Severino lança-se à luta na Confederação do Equador, junto com Tristão Gonçalves. O ciclo de conflitos termina com a Insurreição do Crato, dando a vitória ao povo cearense que se une ao Império em expansão. Padre Cícero é nomeado Governador e junto com Antônio Conselheiro fazem-se defensores do estado laico do novo país. Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar de Aracati, é nomeado Ministro da Guerra e responsável por toda a marinha de Nordestinópolis. José de Alencar é conclamado porta-voz do governo e em festa o Ceará celebra com uma dança de coco com umbigadas e batidas de pé.
Atravessando o sertão, Severino e os seus alcançam o Piauí e lá ocorre a Batalha do Jenipapo. Com a vitória do povo piauiense, o Império do Nordeste cresce cada vez mais. Carlos Castelo Branco, é escolhido como Ministro do Quarto Poder, a Imprensa, que luta contra toda forma de censura e ditadura que o país do Sul tenta impor. E a festa da libertação do Piauí vem com a Marujada.
A nova Balaiada explode nas Terras do Maranhão, e Pedro Cosme, o Imperador das Liberdades Bem-te-vis, se une a luta de Severino contra as injustiças praticadas pelas elites políticas e as desigualdades sociais que assolavam o estado. E com a força de todos os líderes nordestinos juntos, o Duque das Batalhas Caxienses é derrotado e um verdadeiro Bumba-meu-boi é feito em comemoração à vitória.
Severino viaja pelo agreste nordestino e alcança o pequeno estado de Alagoas. Lá na Serra da Barriga, um líder cercado por tropas do Sul, necessitava de auxílio. E com os bravos homens que reuniu para a Batalha dos Palmares, Zumbi sai vitorioso e o Quilombo resiste ficando de pé. Com a vitória a capital é tomada e Maceió livre do julgo da corrupção e da desigualdade se une ao Império. Zumbi é eleito governador e em comemoração um Reisado é oferecido ao Imperador Severino I.
Aportando em Sergipe com a poderosa armada do Dragão do Mar de Aracati, impede que Neonazistas, durante a terceira guerra mundial, bombardeiem e invadam a região. Os navios Baependi, Araraquara e Aníbal Benévolo, resistem aos torpedos dos submarinos, diferente do que ocorreu com eles durante a segunda guerra e não permitem que as ideias de um 4 reich voltem a ser pronunciadas em terras brasileiras como ocorreu na década de 20 daquele mesmo século. Uma Chegança é oferecida em comemoração à vitória.
Por fim resta o grande estado da Bahia para se unir a Nordestinópolis. Local de desembarque de Severino, mas que sem o seu poderoso exército não conseguiu derrotar o adversário. E uma nova Sabinada explode. Doutor Francisco agora tem a ajuda de um Exército Cabra da Peste e Canudos desta vez não sumirá do mapa, com a vitória de Antônio Conselheiro. Por fim a vitória é conquista e a República Baiana se une ao Império de Nordestinópolis. Ao som da Timbalada descendo o Pelô e atrás de um trio de Dodô e Osmar, a glória é celebrada. As obras de Jorge Amado voltam a ser respeitadas e Raul Seixas é eleito o profeta do Império. Dorival embala com seu violão as tardes de Itapuã e João Ubaldo em um discurso ufano agradece ao verdadeiro herói daquela nova nação: O povo brasileiro.
Os ecos das batalhas nordestinas refletem em todo o país do Sul e Cabanagens e Farroupilhas eclodem. Uma nova revolução de 30, faz com que o antigo país chamado Brasil se una a Nordestinópolis e juntos novamente em uma única nação, sem divisões, sem partidos, sem esquerda ou direita, sem preconceitos social, raciais e regionais, virem o país que estava destinado a ser, o cicerone de uma nova era mundial.
Era uma vez um sonho que pode se tornar real. Chega de divisões sem sentido! Todos somos Jorge Amados, Arianos, Dorivais, Zumbis, Gonzagas, Conselheiros, Sabinos, Capibas, Gilbertos e Paulos Freires. É tempo de respeitar as palavras de Raquel e de Cecília! Respeitar os grandes João Cabral e Manuel Bandeira! É hora de respeitar o Nordeste e sua cultura! Somos mais que nordestinos, somos acima de tudo brasileiros e arretados como verdadeiros cabras da peste vamos à luta se preciso for, então... Não bula com nois não e se aprochegue para ver como nossa cultura é arretada!





SAMBA-ENREDO





Escute o Samba
NORDESTINÓPOLIS
Compositor: Claudio Sampaio
Intérprete: Leonardo Bessa

Não bula com eu menino,
Em minhas veias corre o sangue Severino!
Cala o teu preconceito!
Me conheça direito!
Respeite o meu alegre jeito Nordestino!

Não bula com eu, menino,
Em minhas veias corre o sangue Severino!
Ói que samba arretado
E tu besta, parado!
Com a Bafo entrar no gingado
É seu destino!

Farol, uma jangada espacial aportou.
Cangaceiro Severino, em Nova Insurreição.
O Recife se liberta, salve Paulo Freire e Brennand!
Potiguaras, Tabajaras se aliaram
Para um novo amanhã.

Dançam Tapuias, Cariris
Elóis e Niseas vão surgir,
Bravo Dragão!
Pra Conselheiro e meu Padim, peço a Benção.
Se fez a Confederação.
Tem Jenipapo em Piauí.
No Maranhão,
O Imperador das liberdades Bentevis.

Se aprochegue e vem ouvir Raquel,
À luz do mais belo luar que há no céu!
Vejam meu Quilombo evoluir!
É resistência, é Palmares, é Zumbi!

Em terras da Bahia,
Doutor Francisco, com um timbau
 desce o Pelô.
Itapuã, sente a magia
De Dorival, Osmar, Dodô.
Profeta que batuca no terreiro
Ubaldo saúda o povo brasileiro.

Meu Nordeste independente,
Norte e Sul vai inspirar.
E surge um novo país
Que unido vai lutar.
Sem esquerda ou direita,
Raça ou classe social.
Sem partido, destemido,
Cicerone Mundial!