CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

A.R.N.

Coxa Bamba da Rainha


Não temos enredo, fizemos, foi, Carnaval


Carnavalesco : Lukas Schultheiss
Samba utilizado(Escola/Ano) : Inédito
Interpréte : Claudio Bardelli e Lukas Schult

SINOPSE


Autor(es) : Lukas Schultheiss

logo-coxa-2019


SINOPSE

“NÃO TEMOS ENREDO. FIZEMOS, FOI, CARNAVAL”
Autor: Lukas Schultheiss dos Anjos Monteiro


Carnaval é a festa do povo que repete a batida do coração na batida do surdo, que dança o minueto nos passos do mestre-sala e da porta-bandeira, que vibra na voz de milhares de componentes espalhados por alas ou arquibancadas. Aqui, por um dia, todo mundo pode brincar se rei, louco ou poeta. Vale a pena comemorar, sonhar, ser feliz e esquecer a rotina”, durante muitos anos esta era a narração do Carnaval Globeleza, pela qual milhares de pessoas tinham acesso aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, e foi esta mesma narração que nos iludia sobre este fantasioso mundo carnavalizado.


A inversão promovida no carnaval engloba a excentricidade, a familiarização e a profanação que se relacionam com as restrições revogadas durante as comemorações dos festejos de Momo. Revoga-se antes de tudo o sistema hierárquico de todas as formas conexas de medo, reverência, devoção e etiqueta.


Ou revogava-se…


Quando no carnaval se cria uma Escola de Samba e a partir dela concursos anuais para se escolher aquela que melhor desenvolveu o seu tema, a sua dança, o seu canto, as suas indumentárias e as suas alegorias, parte dessa loucura carnavalesca se perde em busca do luxo, da perfeição, da coreografia de passo marcado, da robotização de componentes, dos sambas cada vez mais macheados e de histórias cada vez mais parecidas.


Costuma-se até brincar que existem alguns temas que se encaixam em todos os desfiles, como por exemplo: o Egito. Vira e mexe aparece uma pirâmide, uma Cleópatra ou uma múmia pela avenida.  Às vezes só para rimar na melodia do samba são acrescentadas palavras em outros idiomas como o iorubá, que a maioria das pessoas não sabe o que significa, mas canta a plenos pulmões cada expressão como se não houvesse amanhã.


O que dizer então dos enredos considerados "CEP" (Cidade, Estado, País), alguns carnavalescos ficam tão cansados e com a criatividade tão restrita para criação desse tipo de tema que ele fica muito repetitivo e já parecem ter uma fórmula pronta: índio, caravela portuguesa, negros, imigrantes, café ou cana-de-açúcar e modernidade.


Os enredos em homenagens às personalidades, também acabam sendo feitos com uma fórmula muito parecida em que começa com a cidade natal, passa pelas principais obras e termina com uma grande homenagem à pessoa escolhida. Independente de sua relevância, se tiver patrocínio, qualquer um vira enredo, inclusive eu ou você.


O mesmo serve para o uso das cores. Fez uma fantasia dourada: é o luxo, fez uma fantasia verde é a floresta, fez uma fantasia vermelha é o amor. Isso, quando o carnavalesco não pira na batatinha e faz uma verdadeira colagem de materiais que não tem significado nenhum e arruma uma justificativa de meia lauda só para dizer que tudo aquilo foi pensado e estudado.


E por falar em carnavalescos pirados não podemos esquecer daqueles que acreditam que inventaram a fórmula da pólvora e fazem questão de falar que estão fazendo algo inédito, mas, na verdade, aquilo que é inédito para ele já passou na Avenida em diversas escolas. Ou seja, falta pesquisa, falta coerência e falta humildade.


E com isso quem sai perdendo é o carnaval. Cadê a irreverência? Cadê a ilusão? A brincadeira? A liberdade de sambar, de cantar, de pular? Cadê o papel cultural das agremiações? Cadê a nossa história?


Não é só de luxo que se faz um grande desfile! Não é só de pedrarias, tecidos importados, plumas, cristais... Não é só por meio de esculturas caras que se conta uma história!


Somos da turma do balangandã, fazemos muito com pouco. Nosso brilho vem da purpurina, nossa escultura é feita com o jornal do dia a dia, nossas plumas e nossas pedras são mais chinguilingue do pastel de feira. Com dinheiro ou sem dinheiro vamos brincar o carnaval.


Venham todos! Hoje a Coxa Bamba da Rainha se transforma no estandarte do sanatório geral e o que vai passar é um grande samba popular. Na arte da batucada somos bamba e aqui tudo acaba em samba. Vamos fazer do sassarico a ilusão que nos faz real.


Não há enredo, você sabe como é. Vai como pode, como dá, como der. E deixa falar a burguesia, não me leve a mal, a Coxa Bamba só quer brincar o carnaval.


Obs: Esta é uma homenagem a todos aqueles que gostam de brincar o carnaval e sonham em transformar esta brincadeira em realidade.


Escute o Samba

Samba inédito

 

Lendas não vão passar por aqui

Nem personagens importantes,

Nem cidades por aí

Índio, Negro Egito, Pierrot e Colombina

Pra poder rimar...

E para animar o samba

Palavras Cantadas em yorubá

Ninguém sabe o que significa

Mas todo mundo vai cantar:

 

Ajejé, Obaluaê, iemanjá, obatalá

E para rimar com A: axé, saravá!!!

 

Com dinheiro ou sem dinheiro, eu zoar

Com pandeiro ou sem pandeiro, eu vou sambar

Eu improviso eu sassarico, eu  chego lá

Sou brasileiro e dou um jeito de brincar

 

Malandros e heróis e vilões

Nem as lindas canções

Não estão no roteiro

Nem tipos populares tão faceiros

Pro cenário, eu não sei, faltou dinheiro

 

Acorda Brasil, já era o tempo de bonança

Acorda Brasil, deixa rolar a emoção

Luz, câmera, ação

Chegou a hora de voltar para o refrão

 

Não há enredo, você sabe como é

Vai como pode, como dá e como der

Não há enredo, mas não me leve a mal

A Coxa Bamba quer brincar o Carnaval!