CARNAVAL DE MAQUETE


               

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Grêmio Recreativo Escola de Samba de Maquete

Coxa Bamba da Rainha


ÓPERA BRASIL: O QUE DÁ PRA RIR, DÁ PRA CHORAR


Carnavalesco : Lukas Schultheiss
Samba utilizado(Escola/Ano) : Inédito
Interpréte : Claudio Bardelli Jr

SINOPSE


Autor(es) : Lukas Schultheiss


ÓPERA BRASIL: O QUE DÁ PRA RIR, DÁ PRA CHORAR

Autor: Lukas Schultheiss

CONVITE

 

A Associação Recreativa Nonsense Coxa Bamba da Rainha tem o prazer de lhe convidar para assistir ÓPERA BRASIL: O QUE DÁ PRA RIR, DÁ PRA CHORAR. Uma produção inédita que será apresentada na Passarela do Samba da União das Escolas de Samba de Maquete no Carnaval 2018 pelo Grupo Especial. Nesta obra, que envolve teatro, dança, música, figurinos, cenários e personagens, serão abordadas algumas características dos brasileiros, todas ocasionadas pelo “jeitinho”, pela “preguiça”, pelas “manias” de deixar tudo para última hora e depois reclamar das consequências disso. Venham rir de sua própria desgraça ou melhor, da vida que estamos levando. Somos craques em transformar dor em sorriso, afinal, o que dá pra rir, dá pra chorar.

 

RESUMO DA ÓPERA

ATO 1

 

O MITO E A CRIAÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL DA PREGUIÇA

 

Dizer que o brasileiro é preguiçoso não é verdade, mas alguns ultrapassam os momentos

de ócio criativo e se entregam apenas ao grande e exagerado repouso. Nascemos

colonizados contra a vontade dos que aqui habitavam, depois vieram pra cá outros povos

escravizados para trabalhar e por fim, imigrantes do mundo inteiro que vieram tentar a

sorte no “Novo Mundo”. Mas, todos sabem que por trás deste espírito trabalhador,

lutador e guerreiro “que não desiste nunca” existe um corpo sempre cansado que espera

bravamente pelo próximo feriado e que se pudesse, trabalhava em casa, deitado na

cama, ou na rede, no sofá... só pra evitar a fadiga. Boa parte deste espírito “cansado” é

retratado no personagem MACUNAÍMA “o herói sem nenhum caráter”, da obra homônima

de Mário de Andrade. Desde que nasceu até os cinco anos de idade ele não disse nada,

então esticou os bracinhos, abriu bem a boca e com os olhos fechados em puro gozo do

ócio, ele assustou a família e a bicharada com sua primeira frase: “Ai, que preguiça!”.

Fruto dos estudos que ocasionaram a Semana de Arte Moderna de 1922, quando os

artistas voltaram os olhos para o Brasil, o personagem, que nasce numa floresta estranha

com gente esquisita representa a síntese do povo, ele é filho de índio, mas é negro, é

preguiçoso, mas tem sorte, ao tomar banho e fica branco e sempre está cansado.

 

ATO 2

 

COMO VENCER NA VIDA SEM FAZER ESFORÇO

 

Viver sem trabalhar, ganhar o peixe sem pescar, viver como marajá é o sonho de muitos

brasileiros, mas acontece que é só a minoria que desfruta a mordomia nessa tal

democracia. Então, assim como JECA TATÚ, da obra de Monteiro Lobato, muitos são

regidos pela lei do menor esforço, ficam o dia inteiro sem fazer nada, só reclamando dos

governantes e esperando que um peixe, por livre e espontânea vontade, abocanhe sua

vara de pescar. Vencer na vida sem fazer esforço é o plano de muita gente,

principalmente com as mídias e as redes sociais que fazem verdadeira lavagem cerebral:

os realities shows estão cheios de subcelebridades vazias, as cidades cheias de artistas

querendo os holofotes dos teatros e TVs, sem contar os funkeiros, os youtubers, os

bloggers e tudo mais. A moda é ser famoso, ser famoso e ganhar dinheiro é um sonho. As

loterias e jogos de azar fazem a cabeça do povo, músicas funk transformam popozudas

em pensadoras contemporâneas, e com jeitinho vamos levando a vida do jeito que a

vida quer.

 

ATO 3

 

SE GRITAR PEGA LADRÃO, NÃO FICA UM MEU IRMÃO

 

De tanto empurrar com a barriga, de dar jeitinhos e querer sempre ganhar vantagem em

tudo o que faz... as consequências vão chegando de forma avassaladora, mas, como já

está acostumado, o brasileiro acaba naturalizando que é normal praticar a pirataria,

passar a perna no colega de trabalho, burlar leis para conseguir algo melhor, fazer um

gato para diminuir as contas... E na política, os representantes acabam sendo o reflexo

ampliado de todas essas características e levam nossos pequenos delitos e corrupções a

níveis monumentais. E apesar de sabermos disso tudo, eles continuam sendo reeleitos

mas... afinal, votar cansa, pensar então, cansa mais ainda... As ruas deram lugar à

internet, que se tornou o palco dos debates e manifestações. Ir à rua protestar é muito

cansativo, é mais fácil debater sentado no sofá usando o smartphone. A queda do

“whatsapp” gera mais protestos do que a lavagem de dinheiro dos políticos, que

zombam de nossa cara, pois sabem que mesmo estando mergulhados num mar de lama

da corrupção serão reeleitos, pois brasileiro tem memória curta, digno de JOÃO

PLENÁRIO, personagem de Saulo Laranjeira, que mostra a corrupção e a demagogia dos

políticos até na hora de falar, o famoso “politiquês”.

 

ATO 4

 

VAMOS QUEBRAR TUDO? OU SERÁ QUE TEM CONSERTO?

 

Esperar uma solução para um mal tão grande que vêm desde a colonização é algo

impensável. Não fomos e não somos ensinados a pensar, mas poderíamos ser. Ou

poderíamos pelo menos seguir o exemplo de grandes brasileiros, como os retratados em

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que mostra a força e a fé do nordestino para lidar

com a seca e mesmo assim ter brilho nos olhos; ou “O Tempo e o Vento”, de Érico

Veríssimo, que mostra a bravura dos gaúchos na formação social e política da região sul;

dos seringais acreanos vem “Terra Caída” de José Potyguara, mostrando gente que não

desiste de seus objetos e pensa no bem comum; o que dizer então, de “O Triste Fim de

Policarpo Quaresma”, onde o protagonista criado por Lima Barreto, dedica sua vida para

estudar e entender como melhorar o Brasil? Não importa qual seja o caminho, o

importante é a caminhada, é a vontade de levantar da cadeira e não deixar o “gigante”

adormecer novamente. Se vai ser necessário quebrar tudo para fazer de novo, que seja

bem-feito. Afinal, se um meteoro foi necessário para recomeçar a vida na terra... o que

será que é necessário para dar um jeito no Brasil?

 

Nossa ÓPERA chega ao fim. Me desculpe se você se magoou ou não conseguiu rir de sua

própria desgraça. A vida é assim, tem coisas que dá pra rir, mas tem coisas que só dá pra

chorar. Ah, não se preocupe em comprar ingressos ou reservar lugares na plateia, para evitar

que se canse o desfile será transmitido pela internet e você pode assistir até deitado na rede

tomando água de coco, pausando e recomeçando na hora em que quiser.

Acesse também nossa sinopse ilustrada em forma de vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=iGEGCKhX4qo

 


Escute o Samba

Escola/ Ano: INÉDITO
Compositor: Claudio Bardelli Jr
Intérprete: Claudio Bardelli Jr

 

Prepare a "rede"

A Ópera está no ar

Na terra da malandragem

Nem precisa se esforçar

Desde o descobrimento no Novo Mundo

 Vi meu povo trabalhar

Mas pra que ter vara

Se na minha boca o peixe vai pular

 

Passo o gato sem perceber

Vou ficar rico e do país vou esquecer

 Joguei na Sena, e no baralho

 Vencer na vida sem esforço é um barato

 

 Se gritar pega ladrão

Não fica um meu irmão

Está na hora de assumir

Pôr a mão na consciência

Nesse carnaval

Não quero história sem ponto final

Meu samba vai te mostrar

 Que no Brasil você pode acreditar

Ô preguiça, que cansado que eu tô

Sou brasileiro Coxa Bamba sim senhor

O meu jeitinho eu vou te ensinar

 O que dá pra rir dá pra chorar