CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

A.R.N.

Coxa Bamba da rainha


O samba do crioulo doido


Carnavalesco : Lukas Schultheiss
Samba utilizado(Escola/Ano) : Unidos do Cabuçu 1986
Interpréte : Celsinho, J. Leão, Di Miguel e Beto do Cabuçu

SINOPSE


Autor(es) : Lukas Schultheiss

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No centenário do samba, a COXA BAMBA DA RAINHA enaltece a qualidade dos nossos poetas, compositores e músicos que dão ritmo, som e voz aos nossos desfiles e escolhe o samba-enredo como seu tema para o próximo carnaval. Mas, claro, à sua maneira, afinal, o que teremos na avenida da União das Escolas de Samba de Maquete, é um verdadeiro “Samba do Crioulo Doido”.

E pensar que quando tudo isso começou, o samba, aquele “Deixa Falar” a voz do morro, era um ritmo proibido. Mas, foi de passo a passo, de boca a boca que o ritmo foi ganhando variações, até que em 1933 surgiu o samba-enredo. Os poetas e compositores ficaram cada vez mais famosos e requisitados, além de compor para suas escolas de coração, eles também criavam pseudônimos para competir em outras escolas e ainda disputavam os cantores para conseguir colocar uma música no disco de algum sambista de renome.

E foi assim que Crioulo, o compositor do Morro da Coxa, ficou famoso. Era tanto samba, tanta história, tantos personagens… e ele sempre se virando para encaixar aqueles nomes, palavras e expressões (que só apareciam em tempos de carnaval) em suas composições. Os orixás, ele conhecia de cór, a família real portuguesa era praticamente sua própria família, as lendas da lua, do sol, da sereia e cada folha da Floresta Amazônica já haviam sido cantadas por ele.

Mas, a cabeça de Crioulo já não era mais a mesma. E lá foi nosso compositor cheio de sinopses diferentes embaixo do braço subindo o morro de bar em bar e tomando todas que sempre quis. E lá, dormiu, afinal, sonhar não custa nada, ou quase nada, pois pra onde foram as folhas das sinopses ninguém viu e ele teve que se virar que lembrar tudo o que estava escrito em cada texto. Aí, que o Crioulo endoideceu de vez.

Foi trocando a história, que Cabral chegou um 14 bis e descobriu o Brasil dois meses depois do carnaval e encontrou o povo todo fantasiado de onça, jacaré, arara e tudo mais, parecia até que os índios tinham fundado uma nova sociedade, uma espécie de Tupinicópolis. Mas, o que ele mais estranhava era a presença de Europeus no meio da floresta, ou seria o povo da Floresta que tinha se mudado para a Europa? Afinal, o que Catarina de Médici fazia na corte dos Tupinambôs e Tabajeres? Investindo em sambas históricos fez Ziriguidum 2001, o carnaval nas cavernas; Kizomba, a festa no espaço; e explodindo o coração na maior felicidade mandou de volta para o Pará todos os que pegaram o Ita no Norte.

E não parou por aí, ouvindo um Bumbum Praticumdum Prugurundum que fez Carmem Miranda montar em uma girafa e declarar a independência do Brasil, claro, o novo hino é o clássico “Chica chica chica boom”. E entre boom e bumbum, o povo se inspirou, ficou todo mundo pelado, com bumbum de fora e pernas pro ar, e elegeram as popozudas as grandes pensadoras contemporâneas do Brasil. Na TV, não se falava de outra coisa: “Batam palmas ela já chegou… em meu coração um X marcou”. Xica da Silva, loira, pura e angelical animava as manhãs das crianças, ensinado músicas e tradições africanas para os baixinhos.

Veja a zorra que se deu na Abolição: a negra Clementina de Jesus aboliu a escravidão, assinou a Lei Áurea dos Negros, escravizou os brancos, botou Leopoldina para comandar seu fogão e foi pra rua rosetar: “É hoje o dia, da alegria, e a tristeza, nem pode pensar em chegar”. Entre um Lalalaiá e outro, o bode que deu vou te contá… Michael Jackson virou o Rei do Sertão, o Malandro se converteu, o gigante despertou… mas só foi pra mijar e ter ratos e urubus virou artigo de luxo.

Mas, não espalha não, “entrou por um lado saiu pelo outro, quem quiser que invente outro”, mas andam dizendo por aí que o samba “segue os passos da evolução” e que até na internet estão fazendo carnaval, é um tal de carnaval de maquete…. Primeiro começaram fazendo releituras de sambas, mas agora tem até samba-enredo inédito, onde será que isso vai parar? No Pará? Não, lá já tem escola de samba virtual, inclusive tem em todas as regiões do Brasil. E assim segue a história do nosso carnaval… cada vez mais doido, cada vez mais bamba, daqui a pouco até o Crioulo aparece por aqui para compor também, se é que já não está entre nós!

Salve o samba!

Obs.: A A.R.N. Coxa Bamba da Rainha foi a primeira escola de samba do carnaval de maquete a usar um samba-enredo inédito, aconteceu na sua estreia, em 2016, quando sagrou-se campeã do Grupo de Acesso B, num enredo que misturava historia do Brasil com a história de Inês Brasil.

*Sinopse livremente inspirada no samba “Samba do Crioulo Doido” de Stanislaw Ponte Petra e no samba-enredo “Deu a Louca na História”, da Unidos do Cabuçu (1986)

Referências grifadas:

Deixa Falar – Primeira escola de samba do Brasil

1999 - Estação Primeira de Mangueira - “O século do samba” (Adalberto, Jocelino e Jerônimo)

1970 - Portela - “Lendas e mistérios da Amazônia” (Catoni, Jabolo e Waltenir)

1976 – Império Serrano – "A Lenda das Sereias, Rainha do Mar" (Vicente Matos, Dinoel e Veloso)

1978 – Beija-Flor – "A criação do mundo na tradição nagô" (Neguinho da Beija-Flor, Gilson Dr. e Mazinho)

1991 – União da Ilha – "De bar em bar, Didi um poeta" (Franco)

1992 – Mocidade – "Sonhar não custa nada" (Paulinho Mocidade, Dico da Viola e Moleque Silveira)


Escute o Samba

Autor(es)
Beto Pernada, Orlando, Ney, Celsinho e Fernando

Puxador(es)
Celsinho, J. Leão, Di Miguel e Beto do Cabuçu

Muitos anos se passaram
Num devaneio de um criador
Foi trocando a história
Que Cabral num "14 bis" chegou
Xi, seu Cabral, seu Cabral
Cuidado com o jacaré, jacaré
Chama o índio e mata a fera
Se quiser pisar em terra
Senão você não vai descer
A missa ao som de um órgão era uma onda
Rezada por uma freira
Cruz credo, na batina tem dendê, oi

Chica da Silva
Loira pura angelical
Corria o céu
Em sua nave espacial


Do grito veio a independência
Carmem Miranda empinou o seu bumbum
Montada em uma girafa
Cantarolava thica thica thica bum

Thica thica thica bum
Bum bum bum
Thica thica thica bum
Mas que bumbum


Vejam a zorra que se deu na Abolição
A nega Clementina aboliu a escravidão
Assinando a Lei Áurea em cima de um fogão
Está na hora, vamos valsear
Dançar o "corta-jaca" até o dia clarear
Está na hora, vamos valsear
A banda tira um "sarro"
E joga a música no ar
O gigante despertou, ô
E foi à luta contra a águia impoluta
Tenta o golpe derradeiro
É sonho, chegou fevereiro
Veja o que aconteceu
Stanislau, e como fico eu?

Deu a louca na história
Eu não fiz isso por mal
Olha o povo delirando
Porque hoje é Carnaval