CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

A.R.N

Coxa Bamba da Rainha


“BENDITA BADERNA”
Ou, sobre como a civilização espacial invadiu o Egito,
raptou portugueses, foi chamada de
índio, criou a internet e fez surgir a a Inês Brasil


Carnavalesco : Lukas Schultheiss
Samba utilizado(Escola/Ano) : Inédito
Interpréte : Lukas Schultheiss

SINOPSE


Autor(es) : Lukas Schultheiss

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Prólogo

Esta poderia ser uma sinopse séria, biográfica e contestadora. Mas, não será. Portanto, pedimos que você se desprenda de tudo o que imaginou sobre o nosso enredo e embarque na nossa viagem nonsense. Aqui, nada precisa parecer real, fazer sentido ou ser justificado. Tudo faz parte da loucura e criação carnavalesca de gente que vê no carnaval, mesmo que em forma de maquete, uma forma de brincar e se divertir.

Nosso fio condutor será Inês Tânia Lima da Silva, mas pode chamar de Inês Brasil. Uma webcelebridade que surgiu na internet em um vídeo de inscrição para participar de um programa de reality show. Mas, quem seria ela? Uma mulher? Uma travesti? Uma transex? Um ET? Por que não? É assim que muitos chamam aqueles a quem não sabem como categorizar ou explicar.

E é a partir de todo o xingamento, chacota e alteridade direcionado a ela, que construímos nosso carnaval, mas, transformando a adversidade em criatividade e cheia de mensagens subliminares, metáforas e metonímias afinal, nós somos a ASSOCIAÇÃO RECREATIVA NONSENSE COXA BAMBA DA RAINHA.   Obs: Sabe aquela brincadeira em que uma carta têm vários significados? Nossa sinopse é assim: Se você ler só os parágrafos ímpares verá uma história do Brasil contada de um jeito diferente, se ler só os parágrafos pares verá a história de Inês Brasil... e se ler tudo, terá o nosso enredo.

SINOPSE

Nossa história começa no Egito. Sim, lá mesmo, como quase todo enredo de carnaval! Foi por lá aconteceu um encontro entre o Planeta Terra e os povos espaciais de diversos cantos do Universo. Ao abrir a Nave Louca, eles se cumprimentavam de jeito bem peculiar dizendo: “Alô, alô, você sabe quem sou eu?”. Donos de uma sabedoria maior, vieram com a missão de propagar mensagens de mudança, de afirmação e respeito. A esta missão deram o nome de “ Sistema I”, que lembra um de seus maiores ensinamentos: “Interação”.

Em uma sociedade rica que vive de passado, mas, ao mesmo tempo, esquece sua história, e que se sustenta com base em uma pirâmide social, Inês Brasil ganhou notoriedade através de um vídeo que viralizou na internet com sua inscrição para participar do Reality Show Big Brother Brasil. E prometia uma interação pra lá de quente com os demais integrantes da “Nave Louca” (como o apresentador Pedro Bial chama o programa). Por fugir dos padrões de participantes do programa, logo foi ridiculariza por uns e endeusada por outros, um dos xingamentos mais frequentes era de “ET”.

É como diz o ditado: “Se existe nós neste mundo, graças a Deus, é porque nós fizemos o mundo”. E foi cantando “Underererê dererê dererê. Umbadabadá badabá badauê”, o hino da irmandade e do amor em sua língua universal, que os seres espaciais espalharam sua tecnologia criando diversos meios de comunicação como a i-nternet, i-phone, i-pad, i-pod, i-tunes e outros.

Vamos voltar no tempo e entender como tudo começou: a carreira artística de Inês Brasil começou como dançarina dos shows de Sargentelli, divertindo gringos que passavam pelo Brasil. A fama da moça logo se espalhou e convites de novos trabalhos surgiram.

Cansados de tanto trabalhar, eles criaram o i-ntervalo, também conhecido como feriadão e com cada pau-de-self criaram uma canoa e foram navegar “por essa água de Jesus” para um rincão que nem nome tinha. E como o local era desabitado, viveram pelados e felizes, caçando, pescando e colhendo em plena harmonia e “transando amores do bem”. A paz do local só foi interrompida quando chegaram uns homens barbudos, fedorentos e sem muita educação a bordo de umas caravelas cantando: “Oh, lá, lá, lá, lá, lá, lá oh. Não tem terror. Não tem caô”.

A sensualidade e desenvoltura nos palcos fez com que Inês fosse parar na Europa, mas não como dançarina, e sim, traficada como prostituta. Lá, ela conheceu as drogas e o abandono, mas não perdeu a fé. E para sustentar a família suportou a humilhação.

Eram os tais portugueses, que erraram o caminho achando que estavam chegando às Índias e resolveram chamar os seres “i” de índios. Quanta falta de criatividade! Afinal “errar é humano, permanecer no erro, fica errado”. Os “índios” deram o que eles queriam e ainda ganharam uns presentinhos, como espelho, pente e até umas roupas que de tão sujas estavam fazendo coçar o faniquito. E se você não sabe “o que é faniquito eu já já vou dizer. É tudo tudo aquilo que esquenta e dá prazer”.

Para se destacar, alcançar um número maior de clientes e garantir um dinheiro a mais, Inês teve que modificar o corpo. Próteses de silicone nos seios, mudança no cabelo, nas roupas, maquiagem e outras intervenções fizeram surgir uma nova mulher.

Mas, os portugueses se apegaram e não quiseram mais abonar a terra “descoberta”. É como diz aquele ditado, “Se me atacar, eu vou atacar”. Para se vingar da invasão, primeiro os índios deram o “grito da pantera”, como não adiantou se transfiguraram em franceses, um povo ainda mais fedido, causaram uma revolução, cortaram cabeças, ameaçaram invadir Portugal e expulsaram a Corte para o Rincão. “Segura a marimba, monanour!” A ideia era abandonar os portugueses todos aqui e voltar para o infinito. Mas, a pajelança espacial acabou não dando certo, pois o sinal era sempre interrompido com chegada de um povo diferente, como os negros e europeus.

A ideia de fazer muitos programas para juntar dinheiro, pagar as dívidas e voltar para o Brasil não deu certo. Era apenas uma artimanha daqueles que a levaram para a prostituição. Ela chegou a ser ameaçada de morte quando mostrou toda sua garra e enfrentou a cafetina para proteger uma das amigas.

Os povos, então, se uniram aos índios e com “Cabeça prum lado, corpinho pro outro” começaram a dançar para a chuva: era uma tentativa limpar o sinal do satélite e permitir a localização da nave espacial. Os portugueses viram aquilo que misturava dança e música e logo apelidaram de ‘samba”. Cansados de tentar se salvar na individualidade, os povos resolveram se misturar, “Por que Deus diz: amai, multiplicai e nascei os bebês” e foi de “make love” em “make love”, “só no trenzinho do amor” que um novo povo surgiu: “Sempre irmãos, sempre unidos, sempre Brasil”. Aos poucos, esse novo povo, feito da mistura do que há de melhor em cada “raça”, usou a tecnologia a seu favor para divulgar o que pensa, divulgar o que sabe e divulgar o que quer.

Com força e fé, Inês conseguiu largar as drogas, que consumiam muito de seu dinheiro e a faziam ficar cada vez mais dependente da prostituição e casou-se com um gringo que trabalhava na TV. A partir daí, ficou na própria carreira. Com auxílio do seu “alemão de olho azul”, com quem teve uma filha, investiu na música e na dança, criando composições engraçadas que foram divulgadas em seus shows e na internet.

“Por que a vida é assim, né? Deus diz: faça por onde que eu te ajudarei. Então, vão bora fazendo”. Surgiram memes, surgiram celebridades instantâneas e surgiu até um carnaval no meio digital. Como nem tudo na tecnologia é usado para o bem, surgiu o BBB “Bendita Baderna Brasil” e pior ainda, os ex-BBBs DJs. Mas, foi por causa desta invenção que o mundo pode conhecer o fruto da interação entre Índios-Negros-Europeus e o “Sistema I”: I-N-E-S.

Surgida entre byes e gigabytes, arrancando risos e lágrimas, lotando e esvaziando plateias e gerando um novo meme a cada soluço, Inês Brasil tentou, mas, não conseguiu entrar BBB, mas teve seus quinze minutos de fama na internet e logo foi alçada para programas de Rádio e TV onde ganhou notoriedade, expôs sua história de uma forma muito particular e foi abraçada pelos gays. Hoje, mantém-se na mídia explorando seu lado exótico e trabalhando com aquilo que sempre quis: cantar e dançar e, com isso, sustenta a família, que era seu objetivo desde o início.

INÊS, que tem a honra de carregar o país em seu próprio nome, aceitou o convite da Coxa Bamba da Rainha “Me chama que eu vou”, e se vestiu de laranja e branco, afinal, “Orange is the new black” e veio participar do nosso o carnaval ocupando o posto de Rainha do Brasil e Defensora da Paz e Amor Mundial. Afinal, o forninho já caiu, mas “ninguém derruba este povo chamado Brasil”.
Escute o Samba
Compositores: Lukas Schultheiss
Intérprete: Lukas Schultheiss
BENDITA BADERNA!
(Ou, sobre como a civilização espacial invadiu o Egito, raptou portugueses, foi chamada de índio, criou a internet e fez surgir Inês Brasil)
Naveguei e voei
No Egito aportei, aportei
Uma nave louca, povos espaciais eu transportei
Sua tecnologia se espalhou,
Internet para o mundo, ele criou
Muito trabalho veio então, feriadão...
Postaram selfie, chegando ao meu Rincão
Cruzando os mares,
Oceanos enfrentei
E Pajelança pelo mundo espalhei
Vivi pelado, cacei, pesquei
E portugueses avistei
Raptei Maria, a louca
Carlota e Dom João
Fui o dono desta terra
Vendi pau, ouro e chão
Tentei voltar! Ir além do infinito
Não consegui, não consegui
Me chamaram de “índio”
Chegaram negros e europeus
Dancei pra chuva, o samba nasceu
E desta mistura quem é que não viu:
Surgiu, I-N-E-S Brasil!
A Coxa Bamba da Rainha vem mostrar
A história de um jeito popular
Se segure na cadeira, a tela vai tremer
Irreverência aqui você vai ver