CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

G.R.E.S.M.

Acadêmicos do Litoral



Carnavalesco :
Samba utilizado(Escola/Ano) : Tuiuti 2016
Interpréte : Daniel Silva

SINOPSE


Autor(es) :


Uma viagem arretada ao sertão surreal da litoral.

 

-desenvolvimento


As mazelas de lá.

(parte 1)
Vivo muita coisa no sertão do meu amado nordeste
‘aperreado’ bati no peito e segui em frente acompanhado do meu boi e lá vou eu na poeira dos pensamentos, vago além da imaginação, para encontrar motivos de padecer nessa terra.
Com muito orgulho sou ‘cabra da peste’
valei-me padim ciço do qual ainda sou crente fiel

a realidade por aqui é de doer o espinhaço no meu sertão é um sol pra cada um.
A chuva que não vem matar a nossa sede rasga a garganta de tanta agonia
o chão rachado é paisagem mais comum
fartura? É companheira de um milagre que não se muito por aqui ‘chuva' é coisa que não sucede

Os cactos no caminho decifra um cenário único, as carcaças na terra rachada anunciam a desgraça, o voou do assum leva para os quatros cantos desse chão o pranto por água.
A catinga cobre o meu chão
o clima arde o juízo não ajuda não.
As rezadeiras vão cantando em louvação aos céus.

O povo padece mais não a um que largue o rosário
a fé ‘da gota’, vai que os ‘anjos’ nos ‘escuta’
responda nossas súplicas.


Visto meu chapéu de couro, essa é a minha raiz!
Traje de lampião, nordestino cantador e na realidade sou por de mais paciente.

Ligeiro como onça

‘a pulso’ deixo minha terra em busca de ser feliz
mas que destino mais inconveniente o que me diz

Mostra o caminho o destino para eu ser feliz!

A fé sertaneja (parte 2)

carrego a viola na minha andança em cantoria vou clamando a São José
que um mar de bênçãos caia sobre esta terra
diga o contrário quem quiser, mas tenho fé
que cesse logo essa seca da moléstia

purificai São Pedro com sua chuva sagrada a nossa terra bendita, lavai a renda que beija o chão.

Ligeiro sou atendido o vento surpreende tanto chego a voar,
e o sertão virou mar
as minhas preces foram alcançadas
eu disse eu profetizei que a esperança havia de voltar e ela voltou.

 Ora se avexe não e vem pra cá essa beleza.
Vejo nuvens carregadas, ouço o som das trovoadas
a esperança no olhar derrama lágrima nas mãos calejadas.

É fresquinho o ar

Mal me lembro de quando a poeira entalava na garganta

É de emocionar.


A nova terra (parte 3)

O sertão frutificou na primeira gota d’água
deu de tudo: manga, uva, umbu e siriguela
é tanta fruta que aproveito pra dar uma bicada
quem tá de boca cheia não pode dar trela

a água que falta, quando vem, mostra uma terra fértil
aqui dá algodão, amendoim e o milho
um lugar de agricultura versátil
 com tanta fartura, o sertanejo é só sorriso
o milagre chega e feito onça faminta alimenta corpo e alma de cada um, meu boi já se cria carne matando aquilo que estava nos matando
com tudo que esta terra oferece
não posso deixar de lado a boa e velha rapadura
pessoa azeda é porque deste doce carece
só não pode morder forte e quebrar a dentadura

na culinária nordestina não pode faltar a farinha
no almoço, no jantar ou até mesmo no café
se falar que não tem, vou soltar um não me aperreia
fico ‘brabo’, e quem não fica?

Pra fechar só não pode falta uma branquinha alivia a alma.


Um paraíso de cultura (parte 4)

Nas minhas andanças
um novo olhar sobre o nordeste
no meu caminhar, fico em dúvida para onde vou?
Quando penso no meu querido Pernambuco
vejo o artesanato e fico pasmo
salve grande mestre vitalino!
E sua arte moldada no barro
meu nordeste é plural
o cordel é minha típica literatura
um tipo de arte imortal
um traço forte da nossa rica e bela cultura

a molecada senta na calçada para ouvir as lendas da contadora de historia

O povo criativo
o folclore popular não tem fronteiras
conquistou os quatro cantos do Brasil
entre sacis, curupiras e mulas sem cabeça
tem muita gente jurando que já viu.

Cruz credo sai de ré assombração...

O boi também é bem lembrado carrega com ele um fardo, boi da cara preta, boi danado boi mancinho, mistérios medo e milagres.

 É de lembrar e arrepiar o espinhaço


Um povo feliz e seus festejos (parte 5)
Corre pra cá vem do interior o som

Dos festejos juninos

Balões de São João, fogueira e bandeirola
comidas típicas para agradar os ‘meninos’.

A moça arrocha o laço de fita no cabelo
no xote, até acanhado desenrola
vai ter quadrilha e cantiga.

Se vou pra São Luiz...  Tem o bumba meu boi do maranhão
é outra manifestação da nossa gente
o brincante do maracatu avança
fortes raízes que dominam
em campina grande o maior São João do mundo inteiro
vem gente de outras freguesias e até do estrangeiro
dançar agarradinho à luz do luar
no dois prá lá, dois pra cá até o sol raiar.

À minha frente, vejo ainda muito a caminhar
mas, o olhar marejou. Desculpem-me, não consigo continuar
ínha, bota a lenha no fogão que eu to voltando!
Não tem canto no mundo que eu quero estar
se não for o meu o meu lugar

Nesse mundão de ilusão
com todas as tristezas superadas
a minha jornada vou dando por encerrada.

O fim
Eu vicentino um sujeito que de fome gemia
mirei o litoral e acertei a ‘academia’
estava fadado a morrer da mesma morte que castiga
na história me tornaria estatística.

Não posso acreditar que meu nordeste se transformaria
essa terra é maravilhosa, Vixe Maria! Mais que alegria
morro de comer jerimum com farinha
para continuar a viver minha vida sempre viva!

Daqui eu não saiu não na linha da ilusão que conheci o meu amado sertão


Escute o Samba

Autor(es)
Rafael Júnior, Jorge Maia, W. Correia, Dilson Marimba e Claudio Russo

Puxador(es)
Daniel Silva e Leandro Santos

Ser tão criativo nos sertões da fé
pra não ser mais um ao Deus dará
seja omí ou muié no Ceará
contam que a água rareia
e a fé aperreia a imaginação

Na terra das crendices, disse me disse, vixe Maria
oxente um presente ao Padinho
um danado de um boi mansinho
fez causo popular, laiá, laiá...

Arrasta a sandália beato lá vai o boi
do Juazeiro ao Crato me diz quem foi
quem foi que mandou o chuvaréu
é água meu Deus! tá caindo o céu


Lourenço armou um sururu
profetizou e o boi zebu
virou xodó, floresceu a plantação
do portento ao quiprocó
ê boi ápis do sertão

Parte mas deixa a saga
que o tempo afaga pelas mãos de Vitalino
cadê o boi? Tá bumbando na quermesse
lá na feira faço a prece
ao milagreiro nordestino

Desce o morro, faz a farra
arretada Tuiuti
requebra cintura de mola
no forró da minha escola
a poeira vai subir