CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

G.R.E.S.M

Unidos do Tijucano



Carnavalesco : Nicolas Arteiro
Samba utilizado(Escola/Ano) : Mocidade Independente de Padre Miguel - 2016
Interpréte : Bruno Ribas

SINOPSE


Autor(es) : Wander Pires, Jefinho Rodrigues, Marquinho Índio, J. Medeiros, Domingos Pressão,

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SINOPSE

Ao abrir o pano, o cabra vestido de Dom Quixote apita. Sancho puxa no repinique. Entram todos os atores, sambando, se exibindo ao público ao som de um arretado samba-enredo. O Palhaço anuncia o espetáculo:

PALHAÇO, grande voz
   O Auto da Trupe de La Mancha! A aventura de um Cavaleiro Andante que conheceu uma trupe mais andante ainda pelas terras dos que andam fugindo dessa terra.

SANCHO PANÇA

Andam-se pra fugir pra cá, o que vamos fazer lá? Se não for minha ilha, que queres que faça num tal sertão? Não há justificativa para convencer o grande cavaleiro andante a se meter com jegueiros artistas.

PALHAÇO, tomando a frente de Sancho
Eu sou acaso loucura, para me meter na cabeça do seu amo? Justificativa do enredo: não sei, só sei que foi assim.

DOM QUIXOTE
Ande-a, Sancho Pança! Arreda o pé, coração, espírito valoroso, que juro à fé de cavaleiro andante que nesta jornada há de ver o mundo quem é D. Quixote de la Mancha; que, se até aqui foi Cavaleiro da Triste Figura, daqui em diante será o alegrão do Universo. Anda, vai-te a preparar!

SANCHO PANÇA
Mas que jornada nova é essa?

PALHAÇO
Senta que lá vem história! Resumo do Enredo:

ATO I
Começamos com Quixote descobrindo um novo espaço em sua biblioteca, em meio a tantos romances de cavalaria, encontra romances brasileiros e se põe a ler- Referências: O Sertanejo de Alencar, Os Sertões de Euclides da Cunha, A Bagaceira de José Américo, O Quinze de Rachel de Queiroz, Menino do Engenho de José Lins, Capitães da Areia e Terrado sem fim do amado, Jorge, Vidas Secas de Graciliano, Morte e Vida Severina de João Cabral, cordéis como o Cante de lá que eu canto de cá de Antônio Gonçalves da Silva e os mais queridos do leitor, os autos, salve o Auto da Compadecida, salve Suassuna! Ele deixa se levar pelos versos do musical Auto do Reino do Sol e na ópera Vida do grande D. Quixote e do gordo Sancho Pança do Judeu António José da Silva, poemas de Fernando Pessoa, nos carcarás, mortal loucura e até no silêncio cantado por Bethânia, no xenhenhém de Elba, de Gonzaga a Alceu Valença e samba com todas as escolas e suas homenagens, vamos invadir o Nordeste!.“Incrusive” a historia que vou contar tem trechinhos copiados na cara dura ou adaptados das referências citadas.
Mas adivinhem só? Foi tão profundo o mergulho na leitura, que, mais uma vez, o cavaleiro adormece e assim começa a grande aventura. O cenário do sertão dá o tom do grande encontro do maior cavaleiro andante com os gigantes cavaleiros andantes brasileiros: os retirantes, os boias frias, os
migrantes, os desbravadores, filhos do chão rachado, os Fabianos, as Sinhás Vitórias, os jegues, as Baleias, os burricos, os palhaços, os circenses e os mambembes.

ATO II

Com o sol rachando, histórias e estórias se intercalam. Grandes moinhos enfrentar, a fome vencer, o calor superar, perder-se em procissões, tudo remoinha, tudo circunda as aventuras de Quixote! O cavaleiro conhece a fé, arma maior dos cavaleiros andantes brasileiros.

No devaneio do moinho que foi feito pra esmagar, o cavaleiro se põe a enfrentar o gigante da seca! Sente a cabeça esquentar, o estomago apertar, o pé queimar, a boca secar. Rodou tanto que achou que foi parar no céu e assim, seguiu a procissão rumo aos céus. Até avistar um anjo, uma mulher especial...
Nesse grande ciclo, quem sempre está presente? Além de Sancho, claro… Sua grande paixão: Dulcineia De Toboso, que aqui pra gente fica combinado como Néia, um globo esférico de formosura, princesa da belezura, duquesa do melindre, arquiduquesa da “xicungunha”, Vênus do sertão, amada dos jagunços, a perseguida, a procurada da “pulicia”, a Maria Bonita! Quixote, que foi logo chegando e dizendo “I love you”, que quer dizer morena em francês, tomou o pipoco de todo cangaço e o estouro do Lampião.

ATO III

Cai a tarde, ascendem a luz do lampião, a lua se ajeita. É noite, vai ter cantoria! O frio da noite começa a bater e é preciso aquecer! Sultana, cigana do fogo, líder da trupe, bota fogo, ascende à fogueira e acalora paixões. A festança começa! Pra aquecer um “cadim” mais, o mais Gato, o galã dos meninos, puxa a rodada de aguardente, a mais pura do Bar do Zé. Com o barril entornado, o coração chega lateja e só desejam passar bem e, assim, começa o “xenhenhém”.
Mas chega a hora que o coração precisa repousar. O cavaleiro senta e ao olhar no horizonte vê no céu da lona as estrelas se fundirem com as luzes do picadeiro. Quixote põe-se a ouvir as estrelas, no “auto”, Compadecida. Ele recita uns versinhos à senhora:

 “Valha-me, Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.
   Sou um andarilho a procurar o sorriso encantador, a esperança, hei de achar linda rosa, meu amor. 
Toda noite o mundo escuta choro dos ofendidos das esposas que costuram mortalhas para os maridos. Notícias que não vieram para as mães que ainda esperam filhos desaparecidos. Retirantes maltrapilhos em frente ao portão dourado batendo com toda a força, ninguém ouve o seu chamado. Chamam a mais de cem anos de fome, de desenganos, mas Deus é muito ocupado. E se eu quiser falar com Deus tenho que me aventurar, eu tenho que subir aos céus sem cordas “prá” segurar, tenho que dizer adeus, dar as costas, caminhar decidido, pela estrada que ao findar vai dar em nada, nada do que eu pensava encontrar! Quem do mundo a mortal loucura cura. A vontade de Deus sagrada agrada. Firmar-lhe a vida em atadura dura. Ó voz zelosa, que dobrada brada. Já sei que a flor da formosura, usura. Será no fim dessa jornada nada. 
   O mundo é pra quem nasce pra conquista, não pra quem sonha que o pode conquistar, ainda que tenha razão.
   Amém.”
Cai estrela cadente, ele faz um pedido.

ATO FINAL

O galo cantou, Quixote desperta! Acorda! Levanta! acorda! Eles vão casar!
O forró rendeu! Mulher Barbada, viúva, triste e antes sozinha e o Mágico, desacreditado, sem magia, muito menos alegria se apaixonaram. A correria começa pra preparar o casório, a alegria é geral! Laços de fita e chitas colorem a terra seca.
Menos pra um, o cavaleiro andante nunca havia notado tal formosura por trás das barbas e crê que finalmente encontrou sua amada Dulcineia. Triste por ter sido enganado pelos encantos, põe-se a chorar.
Casamento de Viúva, o palhaço aos prantos e mandacaru quando “fulora” na cerca, é sinal de quê? Sol e chuva! Se foi Quixote que tanto chorou ou o casamento da viúva ou Nossa Senhora que ouviu a prece ou a estrela que caiu, o que fez chover no sertão ninguém sabe. No entanto, o mágico quer os créditos, diz que foi ele o milagroso, de tanta felicidade por casar com sua amada, enfeitiçou a chuvarada. O importante é que a revoada de pássaros folheou os galhos secos, as flores desabrocharam em chita e o mandacaru em flor. Tudo ao som de zabumba e pandeiro, o tilintar do triângulo mistura com o chacoalhar do ganzá e toca o sanfoneiro, toca assim como as gotas que caem, sem parar. No fim do arco-íris, o sertão virou ouro e fez-se a festa!
E Quixote? Ele descobriu que, na verdade ,ele é eu, o grande palhaço do enredo.

QUIXOTE
Se eu sou você e você sou eu, quem eu sou?

PALHAÇO
   Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

   Cai o pano, e o povo começa a cantar

“Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
 
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
 
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
 
E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
 
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão”

“Sonho Impossível”, Joe Darion, Chico Buarque, Ruy Guerra, Mitch Leigh..  


Escute o Samba

SAMBA DE ENREDO

Compositores
Wander Pires, Jefinho Rodrigues, Marquinho Índio, J. Medeiros, Domingos Pressão, Jonas Marques, Paulo Ferraz, Lauro Silva e Lero Pires
Intérprete

Bruno Ribas

Louco, apaixonado
voar, sem limites, sonhar
desperta Cervantes do sono infinito
que a luz da estrela vai guiar
Quixote, cavaleiro delirante
avante! Moinhos vamos vencer
errante, acerta o rumo da história
pras manchas desse quadro remover
pintar nessa tela a nova aquarela
e hoje enfim devolver
a honra do negro, a tal liberdade
que sempre haveria de ter

Ainda é tempo eu vou contra o vento
não há de faltar bravura
de Ramos à Rosa, meu dom encontrei
nos braços da literatura!

Vai na fé, meu bom cangaceiro
"ser tão" conselheiro regando as veredas
caminhando e cantando, uma nova canção
nas mãos uma flor vai calar os canhões
faz clarear as tenebrosas transações
lavando a alma da "mocidade"
lançando "jatos" de felicidade
vencer mais um gigante nessa história desleal
numa ofegante epidemia que se chama carnaval
vem ser mais um guerreiro
eu sou Miguel, Pixote escudeiro
é hora da estrela que sempre vai brilhar!

Eu hei de cantar por toda vida
minha Mocidade, escola querida
nessa disputa.
verás que um filho teu não foge à luta!