CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

G.R.E.S.M.

Unidos do Tijucano


PIMENTA SIM, MUITA PIMENTA, CHALAÇAS VELHAS, CARNAVALESCAS, PERNAS À MOSTRA E SEIOS NUS - A REVISTA!


Carnavalesco : Murilo Ribeiro
Samba utilizado(Escola/Ano) : São Clemente 1978 -Apoteose ao Teatro de Revista
Interpréte : *

SINOPSE


Autor(es) :


PIMENTA SIM, MUITA PIMENTA, CHALAÇAS VELHAS, CARNAVALESCAS, PERNAS À MOSTRA E SEIOS NUS - A REVISTA!

Autor: Nícolas Gonçalves / Coautoria: Lana Cristina / Revisão: Suzana Gonçalves e Luiz Buarque

 

 

Defesa do Enredo

 

"Pimenta sim, muita pimenta

E quatro, ou cinco, ou seis lundus,

Chalaças velhas, bolorentas,

Pernas à mostra e seios nus"....

Era assim que Artur Azevedo, um dos principais escritores de Revista, definia este gênero. Artur é o escritor da revista, O Bilontra, que guia o nosso enredo. 

O Teatro de Revista é um modelo de teatral popular, que mistura música, esquetes, dança, trançando enredos políticos, sensuais, satíricos e irreverentes. A Unidos do Tijucano acredita que essas características casam perfeitamente com um grande carnaval. Desta forma, o Grêmio Recreativo Escola de Samba de Maquete se torna Empresa Unidos do Tijucano, para trazer uma grande Revista para a avenida virtual, porque a melhor maneira de entender esta arte, é vivenciando-a. 

Apresentamos, então, o texto da peça:


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A REVISTA

de Nícolas Gonçalves

 

Revista guaratinguetaense com toques fluminenses 

 do ano de 2018

em 1 prólogo, 3 atos

e 4 quadros 

 

Em colaboração com Lana Cristina

Música de Chocolate

São Clemente 1978

 

Representada pela primeira vez no  Sambódromo de Maquete Em 15 de abril de 2018.

 

Empresa Unidos do Tijucano

 

 

 

 

 

 

 

 

PERSONAGENS                                                                                        ATORES

 

O ESCRITOR.......................................................................................................................... Artur Azevedo

DIONISIO...................................................................................................................................Cleiton Almeida

TRAGÉDIA..............................................................................................................................Thiago Laurentino

COMÉDIA....................................................................................................................................Alerson Godoy

A BANDA DE JAZZ ......................................................................................................................................Ala 2

A ORQUESTRA.........................................................................................................................................Bateria

O MAESTRO...............................................................................................................Senhor Mestre de Bateria

A BATUTA.............................................................................................Dona Rainha de Bateria Fabiula Ribeiro

A COELHINHA......................................................................................................................Passistas Femininas

O PRESIDENTE BARRIGUINHA...........................................................................................Passistas Masculinos

DERCY GONÇALVES.................................................................................................................................... Ala 5

O NABO, O PEPINO E A BANANA............................................................................................................... Ala 6

CARMEM MIRANDA.............................................................................................................Dona Virginia Lane 

ZECA CARIOCA......................................................................................................................Senhor Americano

O ABACAXI.............................................................................................................................Lukas Schultheiss 

A VOSSA EXCLÊNCIA.....................................................................................................................Senhor Temer

A “A”................................................................................................................................................ Dona Dilma O TUCANO......................................................................................................................Senhor Partido S. D. B.

O RATO..........................................................................................................................................Dona Política

O PATO.............................................................................................................................Senhor Alienado Silva

A PIZZA.......................................................................................................................................................Ala 9

A OCIOSIDADE..........................................................................................................................................Ala 10 

O TRABALHO.............................................................................................................................Ala 10 de costas

O JOGO..........................................................................................................................................Senhor Dutra

A JOGATINA..............................................................................................................................................Ala 11

A XADREZ...................................................................................................................................Senhor Crivella

O JOGO DO BIXO..................................................................................................................................... Ala 13

O SOL.....................................................................................................................................Nícolas Gonçalves

O CARNAVAL............................................................................................................................Eduardo Wagner

 

Corpo de Baile Tijucano, Estrelas, Frutas, Bobos da Corte, Diabinhos Encarnados, Povo do Samba, Anjos etc. etc.

 

 

Músicas do Senhor Chocolate, coordenada, instrumentada e ensaiada pelo Senhor Mestre de Bateria, regente da orquestra. Cenários do Senhor Nícolas Gonçalves. Vestuários do Senhor Nícolas Gonçalves, concebidos por Dona Regina Célia, assessorada por Dona Lana Cristina. Adereços do Senhor Nícolas

Gonçalves e Regina Célia. Maquinismos do Senhor Antônio Roberto. Mise-em-scéne da 4F filmagens.

 

 

PRÓLOGO

 Entra corpo de baile. Apresenta-se a Empresa Unidos do Tijucano. Brilha as luzes da ribalta junto às estrelas da noite. Respeitável público vibra.

 

ATO I

QUADRO I

Sala de ensaios do Teatro Recreio.

 

CENA I

O MAESTRO junto ao ESCRITOR depois A ORQUESTRA depois A BANDA DE JAZZ.

 

MAESTRO - Quem é essa Banda das bandas da América que você trouxe para cá?

              ESCRITOR - Uma banda com swing diferente que vocês vão amar trabalhar juntos!

              MAESTRO - Trabalhar juntos? Eu já trabalho com A Orquestra.

              ORQUESTRA - Quem é essa Banda das bandas da América que você trouxe para cá?

MAESTRO - Eu?

ESCRITOR - Você não disse que A Orquestra já estava ficando fraca e ultrapassada?

ORQUESTRA - Ultrapassada? Fraca? Desde quando?!


BANDA DE JAZZ - (Entrando já tocando) - A Lua Cheia já brilha do céu. Vamos começar o ensaio!

              MAESTRO - (A parte com ESCRITOR)- Mas vem cá, se ensaiarmos juntos, aceitarmos esse saxofones agudos. Você finalmente coloca A BATUTA como a estrela do espetáculo?

 

CENA II

OS MESMOS, depois COELHINHA, BATUTA, DERCY.

 

COELHINHA - Eu ouvi estrela do espetáculo?

BANDA DE JAZZ - Essa será a nossa musa inspiradora?

BATUTA - Musa? É a só a vedete de sempre...

              COELHINHA - E essa corista agora fala? Eu pensei que a mão do maestro não saia da boca dela?

              DERCY - (Entra gritando) Eu que pensei que uma tal Barriguinha não saísse da sua...

              ESCRITOR - (Tampando a boca da DERCY, volta a cena) - Queridas! Já estou escrevendo um quadro para vocês.

              COELHINHA - Um quadro? Se meu nome não estiver no cartaz já sabe que o dinheiro não vem...

ESCRITOR - E como vai o PRESIDENTE BARRIGUINHA?

BATUTA - (Voltando ao alto palco) Quem? O seu financiador?

MAESTRO - (Tampando a boca da BATUTA) Não, amor, são apenas grandes amigos...

              DERCY - Qual das duas vai ser minha vedetinha? A burra explanadora ou a prostituta?

              COELHINHA - E então escritor quem será a grande estrela? Não quero mais ficar aqui dividindo o palco com esta boca promiscua.

DERCY - A minha? Tenho certeza que sua boca já passou por lugares mais sujos...

              COELHINHA - Não me adoeço, com esse batom, já sabemos quem é que tem o caráter duvidoso aqui, fique sabendo...

ESCRITOR - (interrompendo) - A grande estrela será...

 

QUADRO II

Paraíso Tropical - frutas, flores, cores e sabores

 

CENA III

OS MESMOS e CARMEM MIRANDA depois ZECA CARIOCA

 

Bailados e Cantos

CARMEM MIRANDA -              Sassassaricando

Todo mundo leva a vida na tramóia

Sassassaricando

Com banana, o nabinho e a jibóia

O pepino pode até ser um deslumbro 


Ou um assombro

Sassaricando

 

Quem não tem seu sassarico

Sassarica mesmo só

Porque sem sassaricar

Essa vida é um nó

BANDA DE JAZZ - Bravo! A exuberância desta mulher renova os ares de cá! 

              COELHINHA - O que ela fez com meu canto? Esta plataforma é minha! Esses versos são meus! Já vi que essa adora um sassarico num nabo...

DERCY - Ela senta numa banana mesmo!

CARMEM - Obrigada pela recepção calorosa, eu dei...

ORQUESTRA - O que foi que você deu, meu bem?

               BATUTA - Guarde um pouco para mim também. Adoro uma banana! E todas essas frutinhas! (Sai de cena empurrada pelo MAESTRO)

               MAESTRO - Mais uma que vem de lá? Liberte-se escritor, abra os braços para o Rio de Janeiro!

 ESCRITOR - A Liberdade carrega a tocha de luz apontada para cima.

               DERCY - Nem tudo que ta em cima, ta por cima do de baixo! De onde vem tanta fruta americanizada?

              CARMEM MIRANDA - Mas pra cima de mim, pra que tanto veneno? Eu posso lá ficar americanizada? Eu que nasci com o samba e vivo no sereno topando a noite inteira a velha batucada? Minha terra tem lourinhas, moreninhas “chocolat”. Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá

               ESCRITOR - Minha terra tem pitanga, cajá-manga e cambucá, minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. Aprendendo bem, pequena notável. Quem é esse que vem com você?

CARMEM - É Zeca Carioca, nas rodas de malandro, o meu preferido

              DERCY - Malandro que diz “I love You”?! Carioca?! Porra! Oh, que terra boa p'rá se farrear!

BANDA DE JAZZ - Eu já não conheço este sábia de algum lugar?

MAESTRO - As aves sempre voam para o norte...

              ESCRITOR - O Sabiá sempre volta para o ninho. Seja bem vinda, ao nosso paraíso tropical, minha grande estrela! Seja bem vindo também Zeca, o mais novo carioca.

DERCY - Mas é um papagaio!

 

CENA IV

OS MESMOS depois A BATUTA, depois A VOSSA EXCELÊNCIA

 

BATUTA (Entrando correndo) – Meu amo, aí vem a VOSSA EXCELENCIA. 

              ESCRITOR – A VOSSA EXCELENCIA?! Corre! Demora-o! Traze-o só quando eu chamar! BATUTA – Sim, senhor. (Sai a correr)

DERCY - A ponte que...

              ESCRITOR - Partiu! Partam todos! Para ali, ali, para a coxia! (Empurrando-os). Depressa! (A Vossa Excelência aparece ao tempo em que todos somem, e não os vê.). Era tempo! – Ó! Vossa Excelência quis dar-se ao incômodo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ATO II

 

CENA I

ESCRITOR, A VOSSA EXCELÊNCIA, depois ELENCO

 

ESCRITOR - Ó! Vossa Excelência quis dar-se ao incômodo...

      VOSSA EXCELÊNCIA – O senhor tem uma criada muito faladora! A puxar conversa... a puxar conversa... Dir-se-ia que não queria me deixar entrar.

         ESCRITOR (Com sorriso contrafeito) – - Ora, Vossa Excelência! Essa agora! É de costume desse tipo de animal! Se eu ansiava pela vinda de Vossa Excelência! – Então, Excelentíssimo, queira sentar-se!...(Durante toda a cena, olha desconfiado pela porta por onde saíram o elenco).

          VOSSA EXCELÊNCIA – Obrigado; mas desde que me negaram acento no Palácio da Alvorada, nunca mais me sentei em parte alguma! Só me hei de sentar quando for eleito! Foi um voto!

ESCRITOR – Ah! Mas deve ficar excessivamente fatigado. 

VOSSA EXCELÊNCIA – Quando canso, sento-me. Mas logo escuto gritos de fora. (Porta da coxia se abre, escuta leves sons) É por isso que não moro mais no Palácio – Mas que tem o senhor? Acho-o assim com ares galhofado!

ESCRITOR – Não é nada... não é nada... É um ar encanado que vem daquela porta. Com licença (Vai fechar a porta e volta). Mas, como íamos dizendo... (Senta-se e levanta-se logo). Desculpe-me, Excelentíssimo! Vossa Excelência de pé e eu sentado: que distração!

VOSSA EXCELÊNCIA – Esteja à vontade: o senhor não fez nenhum voto, como eu.


ESCRITOR – O caso é que Vossa Excelência foi vítima da mais clamorosa injustiça de que há exemplo no governado da “A”.

VOSSA EXCELÊNCIA – Que quer o amigo? Fomos os dois os eleitos pelo meu país.

ESCRITOR – Dois? 

VOSSA EXCELÊNCIA – Dois, sim, senhor; vai dizer que não?

ESCRITOR – Sim! Pela moral e bons costumes.

VOSSA EXCELÊNCIA – Também eu. Eu fui o mais votado; ergo, fui o eleito junto a “A”; não?

ESCRITOR – Parece. Este é o valor pago na urna.

VOSSA EXCELÊNCIA – Mas ela foi a grande estrela!

ESCRITOR – Ora ela, uma estrela vermelha!

VOSSA EXCELÊNCIA – Ela a grande estrela e eu a vedete que rouba a cena, certo?

ESCRITOR – Incontestavelmente. Se a grande estrela não for sua Coelhinha, claro, se não seria um golpe.

VOSSA EXCELÊNCIA – Com vontade e coragem, tiramos o seu teatro do vermelho e vamos seguir em frente. Agora, é avançar!

ESCRITOR – Mas como avançaremos com O XADREZ dizendo que é pecado brincar na Revista?  (O elenco de vez em quando espia pela porta, que fica entreaberta).

VOSSA EXCELÊNCIA – Não elucidei ainda este ponto. Fá-lo-ei na primeira ocasião. Meus excorreligionários não te atrapalharão...


ESCRITOR – Então por que retiraram a verba?

VOSSA EXCELÊNCIA – O Partido ofereceu-me até, bem como aos outros sacrificados, uma mala de oitenta golpinhos.

ESCRITOR – Oitenta!? Quanto mais se fossem reconhecidos!

VOSSA EXCELÊNCIA – Mas o caso muda de figura. Cada qual se contentaria com seu pedaço da pizza do orçamento.

ESCRITOR – Mas voltando à mala... Vossa Excelência trouxe?... (Ouve-se no quarto barulho de panela e gritos de “fora”).

VOSSA EXCELÊNCIA – Que é isto? (Saem do quarto, elenco alvoroçado).

ESCRITOR – Nada, Comendador, não faça caso. (À parte). Diabos os levem! (Alto). (elenco entra em cena) Esse é nosso elenco... (Apresentando-os)

VOSSA EXCELÊNCIA (Desconfiado) – não conheço.

ESCRITOR – Oh! não conhece Vossa Excelência outra coisa! Nossa coelhinha? Não admiras? Grande estrela da Revista....

VOSSA EXCELÊNCIA – Ah!

ESCRITOR – Tem se distinguido muito por sua filantropia (Baixo a Vossa Excelência). Não me desminta.

VOSSA EXCELÊNCIA - (Protestando) Oh! Vossa senhoria...

ESCRITOR – Ainda fez um importante donativo para as creches junto A XADREZ.

VOSSA EXCELÊNCIA – Uma bagatela! Um reajuste!

ESCRITOR – Como se engana! E a mala onde se encontra?

COELHINHA - Vou olhar na cueca!

DERCY - Você olhe na meia!

VOSSA EXCELÊNCIA (Vendo as horas) – Cinco horas! Bem, deixo-os a gosto, vou aproveitar a

“folguinha” para viajar em pesquisa da segurança (Vai a sair)

ORQUESTA - Enquanto uns vem do norte, outros fogem pra lá...

COELHINHA - Preciso ir, então está decidido, aguardo minha estrela no cartaz.

ESCRITOR - Creio que não será mais o caso.

          (VOSSA EXCELÊNCIA e COELHINHA saem de cena)

BATUTA - O que aconteceu?

ESCRITOR - Enrole-o novamente, se não queres um reajuste.

 

CENA II

OS MESMOS depois A BATUTA

 

 

ESCRITOR - O que é que aconteceu? Botaram tudo a perder!

MAESTRO - Tinha um rato, um tucano e um pato!

DERCY - Corri e dei de cara com um tucano.

ORQUESTRA - Assustado orquestrei uma copla de panelas.

ESCRITOR - E o pato?

DERCY - O pato ninguém entendeu merda nenhuma.

BATUTA - (entrando ofegante) Senhor, A VOSSA EXCELÊNCIA te chama.

 

CENA III

 ESCRITOR, VOSSA EXCELÊNCIA, depois ELENCO

 

 

ESCRITOR – Perdão; as panelas não eram para o senhor, muito menos os gritos de fora...

VOSSA EXCELÊNCIA – Não disponho atualmente da quantia que me pede... Mas, se precisa de dinheiro e quer fazer um bom negócio...como me disse que era amigo do povo do samba...e eu tenho um enorme desejo, confesso, de...de ser a estrela...arranje-me o espetáculo, e depois conversaremos. ESCRITOR – Oh! Mas Vossa Excelência....uma influência política!

VOSSA EXCELÊNCIA - Não quero pedir certas coisas...e depois, ainda não tomei pé no meu novo partido. Adeus, e desculpe. Obtenha-me o espetáculo e apareça. (Sai rapidamente)

COELHINHA - Vou também, fique com os tamancos para sua nova estrela. (Sai descalça e elenco volta ao palco)

DERCY - Já esta se despindo a prosti...

CARMEM - Que belo sapato, vou alcançar a altura que eu mereço!

ESCRITOR – Vocês iam colocando tudo a perder! Filam-me uma corrente de ouro de lei, e vêm sem ser chamados!

CARMEN – Perdão, mas assustamos com a presença de um rato e tropeçamos em um tucano que caiu sobre nós...

ESCRITOR – Já sei dessa história, mas este prejuízo sou eu quem paga o pato!

DERCY – Você ou todos nós? Olha que se mais uma vez acabar em pizza...

ORQUESTRA - Já vejo o púbico tacando tomates.

BATUTA - Para fazer a pizza?

 

CENA IV

ESCRITOR, depois O TRABALHO

 

ESCRITOR () – Deus aonde!? Aqui estou, sem eira nem beira nem ramo de figueira. Já fico velho e muito pouco vislumbro o aposento. O Comendador falhou: a quem devo recorrer?

O TRABALHO (Aparecendo) – A mim!

ESCRITOR - Oh! Que figura é esta? Quem és tu, e de onde vens?

TRABALHO – Sou aquele que nunca procuraste em tua vida.

ESCRITOR – Isso sei eu... e a prova é que não te conheço.

TRABALHO – Oxalá me conhecesses! Não chegarias onde chegaste!

ESCRITOR (Vivamente) – Trazes-me dinheiro? – Ah! Já sei, és um usurário. Um reformado. Não importa; venha o cobre, seja qual for o juro! Só não me escravize, pois já não tenho condição.

TRABALHO – Dizes bem, trago-te dinheiro, ou antes, o meio de adquiri-lo com meu auxílio.

ESCRITOR – Desembucha de uma vez! Queres ser meu fiador?

TRABALHO – Nem sequer me conheceste ainda. Eu sou...

ESCRITOR – Um patife, que há cinco minutos zomba de mim e dos apuros em que me vejo! Em suma, quem és?

TRABALHO – O Trabalho! (Projeta-se-lhe no rosto um raio de luz).

ESCRITOR (Algum tanto arrependido) – Olha, vem cá... escuta... (Entra a Ociosidade).

 

CENA V

OS MESMOS, a OCIOSIDADE

 

OCIOSIDADE – Deixa-o ir... não te arrependerás... Eu te salvarei!

ESCRITOR – Cáspite. Falem-me disto! Contigo irei até o inferno... logo que saiba quem és e o que desejas.

OCIOSIDADE – Eu sou a Ociosidade! (A cena fica repentinamente escura).

TRABALHO – A mãe de todos os vícios!

OCIOSIDADE – E de todos os prazeres!

TRABALHO – Ao passo que eu sou o pai de todas as virtudes!

OCIOSIDADE – E de todas as sensaborias.

ESCRITOR – Safa! Que tendes ambos a bossa paterna muito desenvolvida!

OCIOSIDADE – Ouve...

Copla

É por intriga,

Por balda antiga,

Que me fustiga

                                                                    Este grande ratão!

Não me perdoa,

Mas me magoa,

Me amaldiçoa,

Não sei por que razão.

Quem passa a vida

De perna alçada,


Sem fazer nada,

Há de ser bem feliz,

Pois é negócio,

                                                                     Neste país,

Viver entregue ao santo ócio!

(Declamando)                 Assim pois...

Escritor, vem comigo já! 

O que eu te dou ninguém te dá,

Nem te dará!

TRABALHO – Agora eu, minha rica senhora, posso conseguir através do justo...

 OCIOSIDADE - (Declamando.)

Por conseguinte...

Escritor, vem comigo já!

O que eu te dou, ninguém te dá,

Nem te dará

No país do me dá, me dá!


Até trabalhar não dá

Não da pra trabalhar

Podem até a escravizar

Se você quer trabalhar Entenda, que não vai aposentar

AMBOS – Escritor, vem comigo já! Etc.

ESCRITOR ( À Ociosidade) – Decido-me por ti, que és bela!

OCIOSIDADE – Vamos...

ESCRITOR – Aonde?

OCIOSIDADE – Ao Reino do Jogo! Minha filha ira te ajudar! (Sai, levando Faustino)

TRABALHO – (Só) - Insensato! Tudo farei para salvar-te! 

 

QUADRO III

Reino do jogo. Palácio imponente, com porão xadrez engradado

 

CENA VI

Porão do Reino do Jogo

A OCIOSIDADE, A JOGATINA depois O ESCRITOR

 

OCIOSIDADE – Dás licença?

JOGATINA (Indo abraçá-la e trazendo–a para a cena.) Ó mamãe! Pois precisas pedir licença?

OCIOSIDADE – É que não venho só.

JOGATINA – Os teus amigos meus amigos são.

OCIOSIDADE – Sim; mas é que teu pai não quer saber de mim... e então...tenho escrúpulos...

JOGATINA – Escrúpulos? Será a primeira vez. Papai está realmente ficando um mau jogo. Está querendo me expulsar do reino... Intrigas dos aristocratas...

ESCRITOR (Entrando assustado) – Isto aqui não era para ser lindo? Você, quem é?

Copla

            JOGATINA –                                  A jogatina eu sou!

CORO –            É descarada a tal menina!  

Lições não há quem mais lhe dê!

O reino as casa ilumina Se inda daqui bem longe a vê!

ESCRITOR – Ei-la! (À parte.) Falem-me disto!

JOGATINA – Somos aliados?

ESCRITOR – Dar-me-ás fortuna?

JOGATINA – Veremos.

ESCRITOR – Como obtê-la?

JOGATINA – Por muitos meios. (Mostrando a Loteria.) A caça- níquel, por exemplo.

ESCRITOR – Um... as loterias da minha terra nunca me atentaram.

LOTERIA – Que dizes? Oh! Naturalmente não as conheces! Não posso consentir que julgues mal de minhas filhas! – Apareçam, meninas! (Música. Aparecem as máquinas caça- níquel.) Viu quanta riqueza? Mas querem me proibir.

OCIOSIDADE - Ele pode te ajudar, é um bom escritor, sabe como tramar.

LOTERIA - Firmemos um acordo então? Me salva e dinheiro terá.

 

CENA VII

O Reino do Jogo, cintilante de ouro e luz.

O JOGO, BOBOS DA CORTE, depois A XADREZ

 

Coplas

JOGO (Entrando.) – Sou nada menos do que um rei,

Sou nada menos que um monarca,

E receio a ordem e progresso,

Pois a ordem sou eu quem faço.

Sei dirigir a traquitana,

Governar sei o meu país; Não sou pr’aí nenhum banana;

Se o sou, porém, ninguém me diz.

                CORO –                                Não é pr’aí nenhum banana;

Se o é, porém, ninguém lho diz!

JOGO (Que, no fim das coplas, tem subido a um trono.) – Estão todos?

BOBOS DA CORTE – Todos.

JOGO (A um Bobo da Corte) – Conselheiro, manda entrar. (Entra o Xadrez, que se prostra diante o trono.)

JOGO – Ergue-te! (Reconhecendo-o) – Olá! Xadrez! O jogo aristocrata por excelência! (Estendendolhe a mão.) Que pretendes?

XADREZ – Justiça!

JOGO – Vai por aí; não pedes pouco. Justiça contra quem?

XADREZ – Contra A JOGATINA!

JOGO – Contra minha filha!

XADREZ – Sim contra tua filha! Depois que a deste ao mundo, o teu reino foi invadido por uma multidão de jogos de ínfima espécie, se é que tal nome mereça tal gentinha. Vivíamos como os anjos, numa doce alegria imperturbável. As classes sociais estavam perfeitamente definidas. 


JOGO – Uma espécie de demi-monde.

XADREZ – Talvez. – Mas tua filha, fruto de um amor espúrio e condenado, nasceu, cresceu, e, hoje, durante noites inteiras, deixa o teu palácio, e anda pelo reino a organizar uma nova camada social: - a canalha! 

BOBOS DA CORTE – Oh!...

XADREZ – Até hoje o Reino tem suportado calado...

JOGO (Erguendo-se com ímpeto e interrompendo-o) – Hein? Calado, dizes tu?...

XADREZ – Até hoje o reino tem suportado tudo sem tugir nem mugir. Mas a paciência é como as nações: tem limites.

JOGO – Comparação feliz!

XADREZ – Os jogos aristocratas reuniam-se e deliberavam, depois de grande discussão, pela moral e bons costumes, enviar-me à tua augusta presença para pedir providências imediatas e enérgicas. Deves compreender, senhor, que eu, o Xadrez, um jogo fidalgo, cuja origem se perde na noite dos tempos; eu, que até já figuro na gazetilha do maior jornal da América do Sul...

JOGO – Tens toda razão. Justiça vai ser feita. (Ao Bobo da Corte.) A Princesa Jogatina que venha cá. Vais ver como esta casa cheira a jogo! A energia do teu rei ficará eternamente gravada na memória do povo.

(Xadrez inclina-se. Entra Jogatina, acompanhada pelo Escritor.)

 

CENA  VIII

OS MESMOS e A JOGATINA, depois O ESCRITOR

 

JOGATINA – Estou às tuas ordens, papai.

JOGO – Aproxima-te. Conheces esta senhorita?

JOGATINA - (Desdenhosa) – De vista.

JOGO – Pois devias conhecê-la pessoalmente, porque é a mais conspícua dos meus vassalos. (Xadrez inclina-se.) Não te inclines: é a verdade.

JOGATINA – Mas o que tenho eu de comum com esta?

XADREZ (Vivamente.) – Nada, absolutamente nada!

JOGO – Esta (Frisando), que representa a classe mais sim-senhor do reino, ou para exprimir-se em bom português, o high-life, queixa-se, e com razão se queixa, de que tu, minha sirigaita, introduziste na sociedade uma camada perigosa e abjeta: a canalha!

JOGATINA – Ora! E foi para isto que me arrancaram da companhia dos meus amigos! Pois lhe apresento mais um (Entra escritor). Agora vou mostra-vos um sujeito, cuja pessoa é muito respeitada, sendo, aliás, tão diga de respeito como dos jogos a pior cambada.

JOGO – Que gente!

XADREZ – Quando eu digo...

ESCRITOR - (incorpora jogatina) 

Por’i além contente eu vou!

A vida eu levo assim,

Que o mundo alegre é para mim.

Que importa que a Moral,

Não sei por quê, me queira mal?

Hei de cantar e rir,

Não hei de nunca me afligir!

Leviana sou, talvez, porém,

Filósofa também!

Quem se prostrar

No meu altar

Será rico e feliz.

Fortuna dou

Benigna sou Até cos imbecis!

Eu sou fazenda papafina!

Sem me adorar ninguém me vê: 

Pois a Princesa Jogatina

Não há de negar que tem seu quê.

JOGO – (Interrompendo) - Atenção!

BOBOS DA CORTE – Atenção!

JOGO – Princesa, há muito tempo que teu modo de vida me pôs a pedra no real sapato e a pulga a atrás da orelha augusta. Há muito tempo que eu pretendia exercer sobre a tua execranda pessoa minha dupla autoridade de soberano e pai. De hoje em diante não escandalizarás o meu reino! Tens um quarto de hora para se preparar para ir pro xadrez! 

JOGATINA (Protestando.) – Mas...

JOGO (Erguendo-se com violência.) – Nem mais uma palavra! (Descendo e examinando os jogos.) Quanto a estes pulhas que introduziste no reino, saberei, pois que não são príncipes, livrar-me deles ainda com mais facilidade do que me livro de ti, que afinal de conta, és Princesa!

XADREZ (Declamando.) – Vai pro Xadrez! Vai pro Xadrez! Nem era de esperar que um rei tão sábio. Procedesse jamais de outra maneira!

JOGO – Agradeço e espero que estejas plenamente satisfeita.

XADREZ – Satisfeitíssima, senhor. Nem era de esperar que um rei tão sábio procedesse de outra maneira!

JOGO – Então não me amoles... Vai-te embora, e dá lembranças as crianças da crechê. (O Xadrez inclina-se e sai. O jogo sai pelo outro lado, e os bobos da corte acompanham-no com o motivo do último coro da orquestra).

JOGATINA () – Deixem-me! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ATO III

 

CENA IX

JOGATINA e ESCRITOR

 

JOGATINA – O que faremos?

ESCRITOR – Fugimos!

JOGATINA - Que dizes a isto? Que escolha o lado branco ou preto do Xadrez? Mas qual!? Onde a Jogatina encontrará um povo tão mal educado, que a tolere? Estou deveras embaraçada... Malditos aristocratas! Raça infame de hipócritas! Mas tu não dizes nada?... Não me aconselhas?... Mandei que ficasse, por seres o mais inteligente, e não arranco dos teus lábios, dos teus lábios uma palavra  sequer! 

ESCRITOR – Pela máquina Fichet! Que queres tu que eu te diga? Sendo A XADREZ quem mantem seu pai no trono, como queria que eu tornasse justo tal julgamento?

JOGATINA - E eu sou a filha...

ESCRITOR - Parece que na regra do jogo esta não é a prioridade.

JOGATINA - Vamos embora daqui...

ATO III

QUADRO III

Avenida decorada para o carnaval, ao fundo igreja da Candelária iluminada pelo forte sol.

 

CENA I

JOGATINA e ESCRITOR

 

JOGATINA - Onde estou?

ESCRITOR – Não tens que hesitar: Rio de Janeiro!

JOGATINA – Achas?

ESCRITOR – Fixei aqui o meu domicílio. Dou-me perfeitamente com o clima... Tenho muitas relações e sou muito considerado. A ti não faltarão elementos para exerceres poder absoluto aqui. Não podes escolher melhor. Afinal sempre esteve aqui, mas trancada dentro do reino de seu pai. 

LOTERIA – Pelo menos, sei que os fluminenses dão o cavaquinho por loterias.

JOGATINA – Deveras?

LOTERIA – Adoram-nas. Não há terras em que eu tenha tantos prosélitos! Todos os dias anda a roda, quando não anda duas vezes no mesmo dia! Eu no Rio de Janeiro sou moda, sou febre, sou delírio! Tudo lá é pretexto para loterias! Emancipação? Loterias! Obras numa igreja? Loterias! Asilos de caridade! Loterias! Montepio? Loterias! Tudo loteria! Mas quem paga o pato é a corte, que dá saída a todas elas!

ESCRITOR – Decididamente é um povo que me convém! No entanto, quem está pagando o pato é este povo e querem ainda que consiga o apoio deles...

 

CENA II

OS MESMOS e JOGO DO BICHO

JOGO DO BICHO - Com licença. Posso me apresentar?

JOGATINA - (encantada) Claro!

JOGO DO BICHO - (pegando na mão de Jogatina e a levando ao alto palco) Copla

Quem tentar

Apanhar

Sem tardar

Sorte grande,

         Chamar-me mande!

Como eu cá,

Ninguém há!

E aqui está

Um bilhete

         Que bem promete!

Profeta sou!

Convicto estou

De que lhe dou A bela sorte!

É mister

Não temer!

Se perder,

Não se importe!

Ora aqui tem; não perca a vaza;

Compre o bilhete de uma vez;

             JOGATINA - (a parte com escritor) Já tive um sonho, ao fundo uma igreja com o sol maravilhoso a brilhar. Ele, ele vinha em minha direção, era amor a primeira vista.

ESCRITOR - Mas quem chamava mais atenção, a igreja? Aposte na cobra! Ou o Sol? Cabra na certa!

JOGATINA - Ele, ele chamava mais a atenção. Cobra? Cabra? Não posso...

               ESCRITOR - Não sei se sonhar com o próprio bicho te ajuda escolher o tal bicho. Mas eu apostaria na cabra.

JOGATINA - Mas cabra vai totalmente contra ao principio da minha família.

ESCRITOR - Que principio? Está de que lado do Xadrez?

JOGO DO BICHO - (Aproximando-se) Já ouviu o princípio do livre arbítrio?

JOGATINA - Me apresente, assim como se apresentou!

JOGO DO BICHO - Essa meu filho pode explicar melhor, venham comigo.

 

CENA III

OS MESMOS sucedidos pelo CARNAVAL

 

CARNAVAL - (Ao público, com voz de falsete)

Os senhores me conhecem?

Sou eu mesmo... O Carnaval!...

(Voz natural)              Mas, se licença me dessem,

Falava em voz natural.

Em poucos versos contar-lhes

A minha história aqui vou;

O meu passado lembrar-lhes, Que tão depressa mudou.

Eu fui isto que estão vendo:

Como o verdadeiro rei...

Mas fui descendo... descendo...

E em princês me transformei.

(Transforma-se)       Não satisfeito do meu fado

Destes caprichos fatais, Fez-me um diabinho encarnado...

(Transforma-se)       Eis o que sou: nada mais!

A loucura, essa irmã gêmea

Do carnaval sucumbiu Dês que a brilhante Boêmia Os atabales partiu.

Findou-se a minha alegria

Depois que me deixou só

O Club X, que bem podia Chamar-se XPTO. De Heidelberg os estudantes, Filhos do gozo, onde estão? Era outra coisa, isto... dantes,

Nos tempos que já lá vão.

Decididamente acabo

De um modo muito vulgar,

Se os Tenentes do Diabo

Não me quiserem salvar!

Se os Fenianos, da cova

Não me chamam para si,

Leve o demo a casa nova,

Que é muito perto daqui.

Se eu não for quem fui outrora,

Se hei de ser sempre que sou,

Renegar, sem mais demora,

Dos Democráticos vou.

      Se Fenianos, Tenentes, Democráticos

      Do seu amor por mim não me dão prova,

      Recorrerei aos préstimos simpáticos

      Dos Progressistas da Cidade Nova! (Passa pelo fundo O JOGO DO BICHO)

Vai passando o Jogo do Bicho!

Pai, se me vês de lá,

Repara que desgraceira!

Se não cessa a quebradeira,

O meu futuro ali está! (Olhando para a direita)

      Ó céus! Que vejo! Vem ali!

      Desgraçado que sou!

      Se não fujo, ai de mim! Lá se vai tudo.

                                 Quanto Xadrez fiou!

Sem dizer água vai, a cruz pesa,

                          Porque mesmo a cruz vem; ligeiro vou...

 

JOGATINA - Xadrez? Você conhece a Xadrez?

               CARNAVAL - Nunca vi, muito menos engoli, eu só ouço falar, nunca me deu o prazer da presença ilustre. Mas, bem sei que vive de olho em mim, doida por um corte, um golpe.

               JOGATINA - Falsa moralista, sempre de olho, ao invés de cuidar das listras dela.

JOGO DO BICHO - É o livre-arbítrio velado.

JOGATINA - Vocês vão poder me explicar finalmente essa tal liberdade?

CARNAVAL - É o que você acaba de dizer, você é livre pra escolher, essa é a liberdade.

JOGATINA - Mas de novo terei de escolher? Entre cobra e cabra não escolho!

              CARNAVAL - Veja bem quem vem vindo lá, se não são os diabinhos encarnados, o balançar das fantasias brincam com o brilhar do sol fazendo a chama ascender!

 JOGATINA - (Recuando e trombando no JOGO DO BICHO que está atrás) Me assustam!

               JOGO DO BICHO - (Abraçando A JOGATINA, trazendo-a de volta ao proscênio) Não precisa ter medo! Olhe para os pés deles, como dançam, é felicidade pura!

JOGATINA - O que é isso?

CARNAVAL - Samba! (Música. Dançam passistas e vedetes).

               Veja só quem vem agora, as burrinhas, numa grande cavalgada!

JOGATINA - Parecem as cavalgadas da Revista!

ESCRITOR - (Ofegante após sambar) - Teatro e Carnaval se complementam!

              JOGATINA - Me sinto em casa, um novo delírio, um reino diferente, reino de liberdade!

              CARNAVAL - Esse é o livre arbítrio do carnaval! Agora você entendeu! Se entregue, a verdade é que sou o verdadeiro paraíso! Abençoado por anjos carnavalizados e iluminado pelo sol!

(Continua um trêmulo na orquestra até o galope final e entra elenco)

               ELENCO - (Reagindo em conjunto voltados ao ESCRITOR) - E então como está a Revista? E a verba? Quando começa os ensaios? Etc.

               ESCRITOR - A revista acabou de acontecer, vocês não viram? Salve o povo do samba, do teatro, de revista e da alegria!

    TODOS – A galope! 

(Grande galope final. Cai o pano)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Escute o Samba

Carnaval
És um palco iluminado
Onde o teatro de revista
Vem reviver suas glórias
Panorama belo
Entre bambas da comédia
Oscarito e grande otelo

Plumas paetes balangadãs
Num festival de vedetes
Aplaudidas pelos fãs

Rufam os tambores
Agita-se o pano vermelho
Favela dos meus amores
Malandrinhos lavadeiras
E as mulatas faceiras
É o teatro popular
Que a são clemente se orgulha em mostrar
Walter pinto
Carlos machado e outros mais
Virginia lane resplandece em cartaz
Carmem miranda grande estilista
Que levou ao estrangeiro
Nosso teatro de revista

Manhã tão linda
Num céu de anil
Tudo é alegria
Canta, canta meu brasil

Lá laia laia laia laia
Laia laia laia laia
Laia laia laia