CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

G.R.E.S.M.

Unidos do Tijucano


Omi


Carnavalesco : Nícolas Gonçalves
Samba utilizado(Escola/Ano) : Mocidade Alegre / 2003
Interpréte : *

SINOPSE


Autor(es) : Nícolas Gonçalves

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A água que brota é vida, quem da à vida é Ela. É da fertilidade de Oxum que se nasce. Da maternidade de Iemanjá que se cuida. Das mãos de Nanã que se cria. No inicio tudo era água, eis que chega a hora de criar, Oxalá recebe a missão de Olodumaré, dá-se a esse o saco da existência para cumprir magna tarefa. Ao encontrar Exú, a prepotência de Oxalá recusa presentear com oferendas e sacrifícios. Como vingança Exú brinca com água, deixando Oxalá com sede intensa. Sedento, fura com seu opaxorô a casca do dendezeiro e embebeda-se com o líquido refrescante. A água da palma aos poucos faz Oxalá adormecer.
Irmã e grande rival, Oduduá faz sua vingança. Toma para si o Saco da Criação e relata a Olodumaré o ocorrido. Como resposta, o Deus Supremo ordena que ela crie o mundo.
Surgindo do além, Oduduá se depara com uma vasta extensão de água. Do saco libera um conteúdo marrom. Começa, então, a grande fusão da terra com a água. Ciscando, uma galinha de cinco patas ajuda a terra espalhar dando luz à nação Iorubá.
Como consolo, Oxalá recebe a tarefa de, por meio da mistura, o barro, modelar os seres humanos. Insaciável, não negava a “água” do dendezeiro e envolto por este vinho de palma acabava criando seres defeituosos. E assim, aos poucos, o Reino Ioruba surgiu.
Desta forma, revela-se que a água é precedente até mesmo da terra Iorubá. Tal água, parada e lamacenta, são governadas por Nanã, deusa da criação simultânea a formação do mundo, representante da história ancestral de um povo.
Assim se inicia linha tênue entre a água e as grandes mães. Água é à força da mulher, de Nanã, Iemanjá e Oxum, que procedem à forma e sustentam a criação. Falar de água é falar delas, da origem da vida e da vida que segue as trilhas da terra, o balanço do mar e o correr dos riachos.

NANÃ- SALUBA OMI

Divindade de origem simultânea à criação da terra. Nanã é origem, intermédio e fechamento.
Nanã é o começo porque é barro, na criação a água parada junto ao conteúdo do “saco da criação” da origem a lama, fundamento dela. É orixá que da a vida e sobrevivência. É quem permite o nascimento dos deuses e homens. De sua água turva, que molha a terra, brota a vida.
Vida que cresce e floresce. Espalha a raiz e se faz história. Nanã rege fisicamente o estômago, os intestinos, a memória e os pés. É representante da continuidade da existência humana. Entender Nanã é entender a trajetória do homem na terra, pois Nanã é a história.
Senhora da morte e de muitos búzios, sintetiza em si passamento, fecundidade e riqueza. Envolve os mortos em suas águas lodosas e cuida.
Sendo a mais antiga das divindades das águas é considerada mãe por todos os orixás. Para os povos jejes, seu nome significa mãe.
Domina as águas do céu. A chuva que faz cair se une por um faixo de luz ao seu segundo filho, Oxumaré, e no céu faz resplandecer um lindo arco íris.
Adentre o pântano e deixe a vida brotar, viver, morrer! Saluba Nanã! Acolhe nossas dores para transformá-las e nos fazer crescer!

IEMANJÁ- ODOYA OMI!

Acendo a vela branca ao pai Ogum Beira-Mar e peço sua poderosa interferência para às suas areias pisar! Chego à praia para saudar, Iemanjá, rainha do mar!
Em outro mito Iorubá contam que Iemanjá, a dona do mar, cansada da vida que levava em Ifé, fugiu para Abeokutá, na direção do entardecer da terra, trazendo rosas brancas perfumadas, beijando a fina areia que aos poucos iam sendo iluminadas pelos raios do luar. Bonita, apesar de ser mãe de muitos filhos, Okerê desejou-a e propôs-lhe casamento. Iemanjá aceitou, impondo uma condição: que o rei jamais zombasse de seus seios imensos. Um dia, porém, Okerê bebeu vinho de palma em excesso e lamentavelmente a molestou. Então Iemanjá o insulta e Okerê chuta-lhe os seios e zomba deles. Ela começou a chorar. Chorou tanto que de seus olhos desceram águas tumultuadas que a tudo tragaram. Seu pranto é vida e desaguou em ondas. Desde então ela vive no fundo do mar, longe dos homens, reinando sozinha em seu império de conchas e peixes. Divina mãe Iemanjá criou a vida nesse mar e suas pérolas são lágrimas de luz. Luz que guia os navegantes pelas águas de lágrimas.
Mesmo das profundezas, com seu canto, encanta marinheiros e pescadores. Estes, protegidos por ela, levam oferendas ao mar, assegurando pescarias abundantes e uma navegação. Juntos de sua mãe, o marinheiro só – com seu bonezinho- e o pescador põem-se a cantar: “Pescador véio promete, pescador vai lhe levar, um presente bem bonito, para dona iemanjá...”.
“... Filho seu é quem carrega desde terra inté o mar”. Mãe de tantos filhos tem seu nome de origem Ioruba, do termo “Yèyé omo ejá”, que significa: “Mãe cujos filhos são como peixes”. Graças as suas funções mágicas e devido ao seu passado, protege seus filhos, como uma ostra protege sua perola. É um orixá que tem o poder da curar as doenças com água, sem derramamento de sangue, puramente com sua própria riqueza.
Portanto, hoje te entregamos flores, jóias, perfumes, sabonetes e muitos outros presentes, rogando paz e prosperidade. Todos o presentes são para te homenagear! Odoiá, minha mãe Iemanjá! Salve a Senhora! Salve todo o povo do mar! Minha Mãe! Esta minha oferenda à Grande Rainha do mar que sois vós, é para que me consiga o que eu vos peço. Aceitai-a, pois, minha mãe e ouça o meu pedido!

OXUM- ORA YÊ YÊ OMI

Rainha de todos os rios, desagua suas águas em tons de azul pavão e reluz toda sua riqueza e benevolência em amarelo ouro!
Mãe mais fértil, representada por um canário, da luz aos filhos e os protege. A água que brota de suas bicas tem a mesma magia da fecundidade. É na placenta que se aloja o destino de cada ser e é nela que Oxum rega o seu filho.
A corrente que nasce ganha corpo e se acumulando forma lagos e lagoas. São nesses poços que encontro o amor. A água empoçada forma um espelho e ali, mãe Oxum reflete a verdadeira paixão, quando olho, reflete minha imagem como um espelho, me ensinando que o maior amor, é o amor próprio.
Com amor próprio você ganha força para correr por onde quiser, assim como as águas de Oxum. Ganhando força, a correnteza cria filetes que aos poucos formam rios que e quanto mais vigorosos, mais enfrentam quaisquer obstáculos. Graças às quedas, ganham maior potencial! Formam lindas cachoeiras, que na ocasião brilham ainda mais. Brilho semelhante ao reluzir do ouro, da riqueza e beleza que é domínio de minha mãe.
Ora yê yê, mamãe Oxum! Madrinha da nossa escola, os filhos da Tijucano são seus filhos também. As águas que banham nossos componentes são suas e a grande mãe de nossa família é você. Hoje nosso pavão é um grande abebé, que reflete sua beleza e a beleza de nossa escola a desfilar.

Escute o Samba


Compositores: Tico /Imperial /Silvio Negão /Silva Oliveira /Fábio Bonfim
Intérprete: Daniel Collete

Água, Mocidade dá um banho de fé
É paixão, é cultura, é axé
Essa fonte de vida
Gotas de amor, essência da criação
A missão de criar, recebe Oxalá então
Traído pela sua indiferença
Não cumpre a oferenda, sedenta ilusão
Oduduá faz sua vingança
Tendo o poder em suas mãos

Ciscando, Adié faz a terra espalhar
Dando luz à nação Yorubá
Expressão de bondade infinita
E assim o milagre da vida se viu
Moldado em barro o homem surgiu

Mistério, é o ciclo da vida a se desvendar
É Nanã Buruké dos Ibás
Governando em águas turvas
Chora, de suas lágrimas o rio-mar
Rainha negra Yemanjá, Odoiá
Oxum, Oxum, Oxum, senhora da realidade
Da riqueza, do amor e da fertilidade
Ora ye ye ô
Senhor, oh, Senhor!
Aos seus pés repousam as águas
Acima de ti não há nada
Iluminai nossa morada


Ôôô, é água amor, fundamental
É água pra vencer o mal
Taí o nosso carnaval.