CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

G.R.E.S.M

Mocidade Unida MASF


Estrelas


Carnavalesco : Comissão de Carnaval (Jacqueline, Maria de Fátima,Marco Antonio)
Samba utilizado(Escola/Ano) : Mocidade Independente de Padre Miguel 1998
Interpréte : Wander Pires Nunes

SINOPSE


Autor(es) : Claudio Sampaio


ENREDO: ESTRELAS

  Somos todos diferentes, como estrelas na Terra. Somos compostos de poeira das galáxias. “Mas quanto a mim, tenho a dizer que elas são mais do que curumins. São os olhos de Deus, vigiando para que tudo corra bem. Para sempre. E, como se sabe, sempre, não acaba nunca.”¹

Olhos que vigiam a noite e nos guiam durante o dia, iluminando o nosso caminhar. Desde os primórdios da humanidade, o mistério das luzes que enfeitam o céu assombraram e geraram lendas, mitos e histórias que se fundiram a arte e a cultura.

A arte rupestre representa em cavernas e sitios arqueológicos, as figuras que o homem via no céu. Nomeia os pontos brilhantes e com a cultura grega surgem as constelações. Surge o primeiro desenho do mapa celeste e o nome de nossa galáxia a Via Lactea ( o caminho do leite), com os romanos, muitos séculos depois.

Através delas se navega no meio de um oceano sem fim. Nórdicos, Egipcios, Chineses, Astecas e Bantos, em suas naves marítimas, se guiavam pelas estrelas fixas no firmamento, seja pelo Cruzeiro do Sul, ou a Polar. Com a invenção do Astrolábio, as navegações ficaram mais constantes e seguras, com o rumo certo e o caminho traçado através dos astros luminosos do céu.

Um destes astros, em uma noite divina, cruzou o espaço e guiou para uma manjedoura, três reis magos. Foi batizada de Estrela de David e anunciou a chegada do Salvador do Mundo. Anos mais tarde, fugindo da perseguição dos romanos à nova fé crista, três mulheres, Maria Madalena, Maria de Magdala e Maria, a mãe de Jesus, cruzam o mar e conseguem desembarcar em solo francês, apesar da falta de comida, das intempéries e dificuldades. Estas três Marias, espalham a palavra de cristo pela Europa Ocidental e dizem que foi através delas que nomearam o Cinturão de Órion, dando nome a estes astros luminosos tão conhecidos. A perseguição aos judeus porém não acabou e atravessou os séculos. A prova disto é o que acontece muitos anos depois na Alemanha, e o Império de Hitler que captulou a Europa e espalhou o Holocausto, marcando com uma estrela, os filhos de Israel .

E sem explicações para fenômenos e mistérios, surgiram crendices e supertições que influenciaram a alquimia, astrologia e levaram para a fogueira da inquisição, bruxos e feiticeiras que se diziam guiados pelos astros e profetizavam através do que estes lhes revelavam, nas bolas de cristal, em sonhos e visões. Aparições de Nossa Senhora  que para o sol ( nossa estrela de quinta grandeza), a visão da Deusa cercada de estrelas e pisando em uma lua crescente, que influencia a criação de uma religião para Maomé, sinais no céu que inspiraram Buda e Lutero, são exemplos de fenômenos que fundamentaram religiões.

Surge Nostradamus que previu através da posição dos astros, os grandes fatos históricos, desde a morte de Reis e Rainhas de sua época, as grandes guerras mundiais, o atentado às Torres Gêmeas e o incêndio da cidade de Roma em 3750. Quando inquirido pela Igreja, mostrou que tudo estava escrito no céu, mas que apenas aqueles, inspirados nas palavras de Deus, poderiam decifrar.

Com o passar dos anos, a ciência, na fase do Iluminismo, surge e desmistifica fenômenos naturais como as estrelas cadentes, cometas e os eclipses. Não são sinais de mau agouro para colheitas e catastrofes, apenas efeitos cíclicos que quando estudados são previstos e observados por lunetas e grandes telescópios. Assim, se observam outras galáxias e surge o Heliocentrismo que anos antes levou para a fogueira Galileu. A teoria do Big Bang ganha corpo e batizam-se o Cometa Halley e Hubble. Astronomia e Astrologia se afastam e assim nascem os signos e os mapas astrais, ascendentes e previsões que guiaram a humanidade desde as enciclopédias às revistas quinzenais.

E surge o sonho de alcançar as estrelas, desde de Da Vince e suas máquinas voadoras, até a corrida espacial entre duas potências mundiais, em plena Guerra Fria. E ficou provado que tocá-las seria mais difícil do que os doze trabalhos de Hércules.

Mas alcança-las através das páginas da literatura era mais fácil, pela imaginação sem limites do homem. Júlio Verne, Oscar Wilde, Orson Wells e a nossa Maria Clara Machado, através dos seus sonhos e talento nos fazem viajar a mundos encantados e cheios de mistério em galáxias muito, muito distantes. No cinema, George Mellies com suas viagens inspira dois meninos, um também chamado George que nos emocionam com Guerras e Jornadas nas Estrelas.

E nós, brasileiros, que sempre damos um jeitinho, criamos as nossas próprias. Com as divas das vozes do Rádio e os grandes nomes da televisão surgem astros e estrelas de carne e osso. Dalva de Oliveira é a que mais encarna esta idolatria, e João de Barro nas “Pastorinhas” já previra que “até a Lua andava tonta com o tamanho explendor” da cantora.

Na bandeira dos países representam histórias, revoluções, revoltas e visões. E marcam a identidade de nações.

No futebol, elas representam as grades conquistas de um clube, time ou seleção. E assim ano após ano, a nossa camisa canarinha foi bordada. Primeiro em 58 na Suécia, depois em 62 no Chile, no México, em 70, em 94 e 2002 vieram o tetra e penta, nos EUA e Coreia e Japão, respectivamente. Hoje nos orgulhamos das nossas cinco estrelas no peito.

Infelizmente nossa decepção foi em outro campo, onde uma estrela vermelha despontou como a solução para um país de igualdade e ficou manchada por pessoas corruptas e envolvidas em crimes financeiros.

No samba, surge a Mocidade Independente de Padre Miguel, que usa a estrela como símbolo e nos encanta com uma bateria única e incomparável e grandes temas inesquecíveis: “Vira, Virou a Mocidade Chegou”, “Chue-Chuá as águas vão rolar”, “Ziringuindum 2001”, “O descobrimento do Brasil”, “Criador e Criatura”, e “as Mil e Uma noites para lá de Marraquesh”. Enredos que renderam os seis títulos à escola de Vila Vintém, suas seis estrelas.

E foi através desta grande estrela que também apresentou “Tupinicópolis” e o memorável “Sonhar não custa nada” que surge muitos anos depois a nossa querida MASF.

E agora, para bordar esta conquista em seu pavilhão, nesta noite estrelada que nem Van Gogh imaginou, surge apoteótica, como um verdadeiro Big Bang de alegria, aquela que conduzirá seu coração através de uma constelação de momentos inesquecíveis e um deslumbre de brilho e explendor. E se estiver escrito, a vitória virá, mesmo que Nostradamus não tenha conseguido prever. Hoje todo o universo conspira para a minha vitória e ninguém me impedirá de alcançar a minha tão sonhada estrela.

Maktub²!

    Notas:
  • Trecho de um poema de Clarice Lispector.
  • Está escrito!
 

FONTES:
Wikipédia, Site Sambario.  

Escute o Samba

SAMBA DE ENREDO
compositores: Joãozinho, Guinna, Muca e J. Brito
intérprete: Wander Pires Nunes

O céu vai me guiar
O brilho da estrela
Vai iluminar !!!
Nesta noite a magia
Cai do céu a poesia
Vem da estrela que me faz sonhar
Nesse universo de mistérios
Um livro aberto cheio de fascinação
Vejo nos astros minha luz na escuridão

Amor vou te levar
Nesse mar de alegria
Iluminado vou na paz da estrela guia

Reluz no mapa celeste
A sorte e o destino
Dos grandes impérios
Deixe o sonho te levar
Pro futuro que virá
Entre heróis, mitos, animais
Cruzeiro do Sul, não me perco jamais
Se o mundo gira, o sol se põe
A lua vem e anuncia
Uma chuva de estrelas
Vai cair nessa folia
Uma luz riscou
O espaço sideral
Fiz um pedido
Pra brilhar no carnaval