CARNAVAL DE MAQUETE
U E S M

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E.S.M.

Fogo no Rabo


Baile de Máscaras


Carnavalesco : Sarti Rosa
Samba utilizado(Escola/Ano) : Rancho Não Posso Me Amofinar 2001
Interpréte :

SINOPSE


Autor(es) : Sarti Rosa

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Bailie de Máscaras


Justificativa:

Em tempos que as pessoas se escondem atrás de uma tela de computador, onde o mundo informatizado e globalizado nos cerca com informações falsas e nos une a pessoas distantes e que, possivelmente, não conheceremos, a ESM Fogo no Rabo nos relembra que este conceito de se manter oculto, fascina a humanidade desde tempos mais remotos. Usado como adereço tão comum nos carnavais, a máscara, de muitas serventias, será usada para retratar o romantismo e misticismo envolto neste acessório que passa despercebido pelos olhos da história, mas, chama a atenção de quem as nota em meio às multidões, completando fantasia íntimas ou alegóricas.

Enredo:

O carnaval chegou, e para muitos amantes da festividade é hora de sair na busca da fantasia ideal que reflita o caráter do folião, mesmo que, este não queira ser reconhecido, muita vezes, a máscara, é o adereço recorrido com o intuito de criar um ar de mistério a sua volta. O que poucos sabem é que este item, comum nos carnavais já era utilizado em outras ocasiões e por vários motivos, é tão antigo quanto a própria história da humanidade e que muitas vezes se funde com as artes cênicas principalmente por ter a capacidade de nos instigar, assim sendo feito seu uso nas inomináveis formas de teatro pelos tempos.
Mulière iniciava seus espetáculos teatrais batendo um cajado no chão e assim solicitando a atenção do público, tal qual nosso mestre de cerimônias inicia este baile de máscaras, fantasiado de arlequim, personagem da comédia dell'arte, que disputava o amor da colombina com o pierrô , com o passar dos tempos, este triângulo amoroso se tornaria recorrente nos grandes bailes a fantasia, além das tradicionais máscaras negras, inicialmente usadas por damas da sociedade e que permanecem trazendo, romantismo e requinte para a Itália do século XII, onde se iniciou as comemorações de carnavais na República Della Sereníssima, mais conhecida como Veneza, transformando esta cidade na maior promotora das festas mascaradas do planeta, e graças a esse clima romântico e misterioso, o francês Gaston Leroux criou sua obra literária mais famosa, O Fantasma da Ópera, narrativa sobre um compositor obcecado pela música e apaixonado por uma cantora lírica, usa a máscara para esconder seu rosto deformado, há quem diga que sua inspiração para este romance-gótico surgiu em um passeio de gôndola _ embarcação típica de Veneza.
Não só de festas vivem os mascarados, rituais mais antigos apresentam formas e materiais menos glamorosos e mais ligados a religiosidade. Na pré-história, os homens incorporaram máscaras em seus rituais sagrados, demonstrando respeito com os elementos ou entidades regentes do meio ambiente, Na África mais primitiva, os escudos eram feitos na forma de máscaras para homenagear as entidades da terra e trazer a vitória, também eram utilizadas para invocar espíritos. O Egito adornava seus mortos com máscaras enfeitadas para ajudá-los na passagem do reino dos vivos para os mortos, os Maias usavam o adereço em cerimoniais de sacrifício e festividades solares, os esquimós criavam os adornos com formas de animais e os colocavam próximo a entrada de suas casas para espantar os espíritos do frio e da fome.
Ligada diretamente às artes cénicas, os atores gregos utilizavam as máscaras para expressar sentimentos, pois, nem todos na multidão podiam ouvir os diálogos que eram encenados, mas saberiam qual cunho emocional se passava na cena devido as expressões, tristes, alegres, ou iradas que os adereços remetiam, tais artifícios entraram nas orgias e bacanais romanos que comemoravam deus Baco, não demorou para a igreja católica excomungar e proibir seu uso em festas direcionadas à deuses pagãos. No Japão, as máscaras do teatro Nôh se misturam a música e dança, deixando claro para os espectadores que a peça se passa em um mundo espiritual regido por gestos lentos e mansos, na ópera chinesa de Pequim, somente homens podem participar dos espetáculos, por este motivo as máscaras e maquiagens pesadas, servem para disfarçar o verdadeiro sexo de alguns personagens, tamanha era a perfeição dos atores que despertou a paixão de um imperador pelo artista, intérprete da concubina.
Inserida em várias festas ao redor do globo, as máscaras assumem um caráter sombrio, como na festa de halloween, onde os participantes se fantasiam de bruxas e monstros, tradições essas, iniciadas por celtas para espantar os espírito dos mortos e mal agouro, Em terras andinas a festa diabladas, trazem máscaras de demônios ricamente adornadas, costume tradicional do povo primitivo que pedia proteção aos deuses dos Andes, mais tarde com a chegada da igreja católica, a festa se transformou em uma luta da Virgem da Candelária e o arcanjo Miguel contra lúcifer e os sete pecados capitais, também entre povos dos andes, existe a morenada, onde os participantes usam máscaras para relembrar o martírio dos escravos.
O Brasil não demorou em adotar a máscara em suas tradições populares como o entrudo, uma festa carnavalesca, onde as pessoas jogavam limões e farinha de trigo nos participantes e até em quem não gostava da festa, por este motivo a polícia sempre era acionada para punir os vizinhos fanfarrões, logo, para não serem reconhecidos, iniciou-se o uso das máscaras, hoje, poucos locais do nosso país ainda preservam essa tradição, porém, com mais moderação. O clovi ou bate-bola é um personagem colorido, típico dos subúrbios do Rio de Janeiro, e pode gerar alegria ou temor em quem os encontra, devido sua máscara estranha, geralmente, com um apito introduzido nela, vagueiam pelas ruas nos dias carnavalescos com sombrinhas ou bolas amarradas a um fio, o nome “clovis” derivou da palavra Clown (palhaços), a figura foi trazida para nosso carnaval, pelos colonos portugueses e sofreu forte influência da folia de reis. Em Pernambuco os caretas saem às ruas nos dias de folia, mascarados e caracterizados como personagens do sertão, atiram balões d'água ou simplesmente festejam a quadra momesca. O Pará possui outra festa onde seus participantes ficam no anonimato, é o boi de máscaras, que foge da tradicional teatralização de matar e ressuscitar o boi e se limitam, apenas, a brincar com os animais alegóricos, acontece em fevereiro e junho pelas ruas da cidade de São Caetano de Odivelas, figuras curiosas como, o cabeçudo e o pierrô odilevense, são os trajes típicos deste cortejo paraense.
Nas folias momescas de nosso país, muitas outras máscaras encantam e seduzem os amantes do carnaval, não apenas as máscaras tradicionais que escondem o rosto, mas, fantasias que ocultam a alma, véus, tapa olhos, maquiagens, o artifícios diversos com o intuito de mascarar a personalidade e viver um ser diferente de sua realidade por alguns dias. Se despir do “eu” interior e adotar o “ser” exterior, tudo isso é ser mascarado. Aproveite os dias de folia, porque, na quarta feira, desce o pano, rasga o véu e desvenda a alma _carnaval, só para o ano que vem.


Sarti Rosa

Escute o Samba

Compositor: Oswaldo Jardim
Intérprete: Silvinho da beija flor

QUANDO A CHAMA ARDENTE
O HOMEM CONQUISTOU
DE MÁSCARA NO ROSTO
INCORPOROU O CRIADOR
1° ATO...PRIMITIVO RITUAL
O RANCHO CANTA EM CENA
O DISFARCE UNIVERSAL

ATRAVESSOU A GRÉCIA ANTIGA
CHEGOU SORRINDO NOS BRAÇOS DA PRIMAVERA
SUBLIME FORMA DE EXPRESSÃO
RITOS E MITOS SE TRANSFORMAM EM ODISSEIA
HOMENS, ANIMAIS, ROMA PAGÃ, OS BACANAIS
DRAMAS E COMÉDIAS, JAZ A EVOLUÇÃO
A SANTA IGNORÂNCIA FEITA PELA INQUISIÇÃO

(E DE LÁ PRA CÁ)
UMA LUZ SURGIU...BRILHOU, BRILHOU
NO ROMANTISMOS DE VENEZA
MASCARANDO A REALEZA, O RISO FALSO...RIQUEZAS MIL
NA FONTE DOS SUSPIROS, SEDUÇÃO
OS GRANDES BAILES, PALÁCIO DUCAL
ARLEQUIM, PIERRÔ E COLOMBINA
AMORES, AMANTES, CARNAVAL

LIBERA A FANTASIA NESSA EMBALO E VEM
QUEM É VOCÊ? HOJE NINGUÉM É DE NINGUÉM

É, MAIS O MILÊNIO ESTÁ AÍ
É PRECISO REFLETIR...O TEMPO NÃO PARA
NA GRANDE GINCANA DESSA VIDA
A CONSCIÊNCIA, É A ALMA QUE FALA
REVELAR COM MAIS AMOR
O ROSTO ETERNO DA ESPERANÇA
SORRIR, CANTAR NUMA SÓ VOZ SER OU NÃO SER, SÓ DEPENDE DE NÓS…

EU VOU A LUTA NÃO POSSO ME AMOFINAR
NA QUARTA FEIRA DESCE O PANO
RASGA O VÉU, DESVENDA ALMA
ÚLTIMO ATO… CARNAVAL ATÉ PARA O ANO